segunda-feira, 2 de julho de 2012

O Avô escravo.


“... O meu vô era escravo. Minha avó criou meu vô e casou com ele... Na senzala era assim: ficavam todos os pretos no mesmo lugar e ai para eles não passarem frio eles faziam uma fogueira no centro e dormia um assim abraçado com outro. Dava dó do meu vô! Meu vô sempre contava.”



Se existe esta na Net



“Eu não sei...mas minha prima viu . Entra na NET...  coisa de espiritismo ! Meu filho entrou... eu contei pra meu filho. Ai meu filho falou: mãe...  se ela existe esta na NET ...”

*Ela se  refere a incredulidade do filho em relação a “Mãe do Ouro”.



Sobre Faunos...



Entrevistei Maíra. O objetivo da entrevista era localizar um antigo túnel da região, porem conforme a entrevista transcorreu descobri que o mundo de Maíra era mágico, repleto de seres especiais. Abaixo trechos da entrevista.

Em determinado momento da entrevista Maíra nos pergunta: Com quem você  aprendeu Ciranda Cirandinha ? Ah ! Se você soubesse quem cantou pra mim essa musica a primeira vez quando eu tinha 5 anos e que  me ensinou a brincar de roda....aqueles bichinhos que tem pé de cabrito, tem dois chifrinhos e são peludinhos...juro! Quando eu tinha 5 anos eles iam na minha casa. Eles são chamados de faunos. Quando eu vi passar aquelas coisas sobre “ Nárnia” eu disse: nossa ! Eu vi eles quando eu era pequena. Eu disse pros meus filhos: eles brincavam comigo quando minha mãe ia pro serviço lá na Tecelagem e me deixava sozinha. Eles apareciam... eu via eles, e eles brincavam comigo. E precisa ver que belezinha que eles eram! Não tinha medo deles, mas depois que eu fui crescendo  e minha mãe brigava eu fiquei com medo. Eles brincavam comigo e me ensinaram “Ciranda Cirandinha”. Eu conversava normalmente com eles e sempre quando estava na hora da minha mãe voltar eles brincavam comigo. Não é só no “Nárnia”  que eles contam essa historia. Eu vi realmente os “faunos” quando eu tinha 5 anos.”



Somos Todos Piraquara

"Toda pessoa que chega em São José dos Campos, abre um chuveiro e toma uma ducha, está sendo “batizada” com a água do “Rio Paraíba do Sul”... e  neste momento ela vira um “Piraquara.” ( Elder Prata

Semana Santa em São José

"Eu me lembro... para a gente que era pequena, em São José dos Campos, a Semana Santa era uma eternidade.” (Fátima do Benê )

O Sumiço das Assombrações



Em minhas pesquisas costumo perguntar para as pessoas se elas conhecem historias de assombração, mula sem cabeça, lobisomem etc...  Certa vez obtive esta resposta :
“ antigamente tinha tudo isso aqui em São José dos Campos. Tinha corpo seco, mula sem cabeça e lobisomen.... mas depois que a luz elétrica chegou eles sumiram tudo”( relato de C.R.)

Mestre Paizinho


Ele é o Mestre  da “Companhia de Moçambique Unidos a São Benedito do Parque Bandeirantes de Taubaté”. Tradição herdada do avô há 65 anos e que era descendente de escravos. Durante a entrevista ele conquistou a todos com seu jeito simples e carismático e nos relatou os conselhos que recebeu de seu pai:
“ Filho, esteja você onde estiver, nunca deixe a vaidade ou a ambição falar acima daquilo que você não é, porque se você deixar isso acontecer então todo aquele ensinamento, a sua identidade, você vai estar jogando “pros lixos”. Então seja você mesmo, tanto numa escola rica ou numa escola simples.”
Num determinado ano o pai lhe disse que ele seria o Mestre da Companhia de Moçambique.
Mestre Paizinho disse ao pai que não daria certo ele cantar como Mestre porque iria ficar nervoso e “gaguejar”. O pai lhe respondeu: “Filho, basta cantar com o coração.” E então ele  nunca mais parou de cantar como Mestre.