terça-feira, 9 de outubro de 2012

SUPERTIÇÕES


*Hábitos e costumes tradicionais se transformaram com a nova tecnologia.
 Nas festas juninas de tempos atrás um costume muito usado era o “Correio Elegante”, ele era usado para se passar recados de amor, admiração e às vezes algum aviso. Hoje em dia podemos ver a todo o momento jovens portando seus celulares e... (Passando inúmeras mensagens, inclusive existindo códigos para isso, feitos com as letras e sinais do teclado:).

* As Capelas da Santa Cruz e a Festa da Santa Cruz ainda resistem aqui em SJC. A Festa da SC. foi utilizada pelos jesuítas para a catequese dos índios.   Encontramos diversos tipos de “Santa Cruz” espalhadas na região. O povo se utiliza dessas capelas para descartar imagens de santos e objetos religiosos. O Interessante é observar que algumas pessoas que se convertem para a religião protestante adquiriram o costume de depositar nestas Capelas as imagens que possuem. Aqui em SJC existem diversas dessas Capelas e a maioria dela em ruinas, porem algumas ainda estão “graciosamente preservadas” e nelas é realizada a “Festa da Santa Cruz” nos três de maio com apresentação de Moçambique.  Algumas foram construídas no local onde ocorreu uma morte trágica, outras simplesmente por devoção.
 Uma característica que constatei foi a de que se uma pessoa tem em sua propriedade uma Capela da Santa Cruz, e por algum motivo ela se vê impossibilitada de ir até a Capela por ser difícil o acesso eles transportam essa Capela (Tijolo, telhas etc.) para um novo local mais acessível.
* presente em muitas casas e estabelecimentos comerciais: “Vaso das 7 ervas”. Acreditam que as plantas que o compõe afastem o mau olhado. Colocado em frente às casas e estabelecimentos comerciais elas tem a propriedade de afastar o mau olhado. (arruda, manjericão, pimenteira, arruda, guiné, comigo ninguém pode, espada de são Jorge).
* O sal, o carvão, o alho, também são usados para afastar energias negativas.
* Algumas pessoas tem o costume de colocar num copo de agua um pedaço de carvão. O copo é colocado atrás de uma porta ou debaixo da cama. Quando o carvão afundar é porque ele absorveu alguma energia negativa de alguém.
* Não se deve acender velas dentro de casa, pois elas fazem os espíritos entrar. Caso acenda dentro de casa, deve se deixar a vela sempre num local bem alto, acima das “cabeças das pessoas”.

N. Sra das Candeias

Mestre Paizinho me contou que dia dois de fevereiro 02 /02 é dia de Nossa Senhora das Candeias.

Devemos desmontar o presépio no dia 2 de fevereiro pois nesse dia a N.Sra das Candeias passa para visita lo e caso não o encontre montado fica muito triste.Caso N. Sra passe e não encontre o presépio ela fica muito triste


 (informação de Fátima e Mestre Paizinho).


Interessante é que tambem nesta data se comemora Iemanja.

N. Sra das Candeias, ou N. SRa da Luz, ou N. Sra dos Navegantes. Nossa Senhora da Candelária.

OUTRO


A.A (Angelino) não gostava de muitas palavras, achava que as pessoas tinham que economizar, até nas palavras. 

L. me contou que seu marido A. dizia que era assim quando trabalhavam na fazenda:

Na fazenda junto com os filhos o S.R. Angelino ficava controlando o banho contra o carrapato do gado.

 Os filhos o ajudavam com o gado... Quando uma res acabava de ser banhada eles gritavam para o pai:

- manda o outro!

O S.R. Angelino parava todo o processo e dizia!

- Não precisa gastar este mundo de palavaras... Fale simplesmente OUTRO!

Os filhos para provocarem o pai repetiam...

- manda outro!

E o seu Angelim...

- eu já disse que não precisa usar este mundo de palavra... Somente OUTRO.

Os amigos mais tarde brincavam com o Afonso quando o encontravam na rua dizendo:

- outro!

Pe. Anchieta e o Bumba meu Boi


Cida  contou que o folguedo “Bumba meu Boi” foi escrito por Padre Anchieta:

- Anchieta  para explicar aos índios o que era a  ressurreição fez esse teatro.

Ele atemorizava os indígenas com essas palavras:

- Não pequem porque senão vocês vão para o fogo do inferno e lá é um fogo que não acaba, nunca mais, sempre fogo!

ao que os índios respondiam:

- Nossa ! Mas que coisa boa, então não vamos ter de catar lenha!

O índio não tinha noção de pecado. Uma pureza ! Só caçar, pescar , criar os filhos, não tinham ganancia nem ambição, orgulho.

obs : Anchieta, usou estas alegorias  para fins religiosos, políticos, econômicos e sociais.

ROUBO DE LEITE - SUPERTIÇÃO



"Uma mulher menstruada não deve chegar perto de uma mulher que está amamentando para não lhe "roubar" o leite "
(Colhido em Campinas - Hospital da Unicamp - outubro 2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

Índios e seus cães


Que o cachorro sempre foi um bom amigo do homem isso ninguém duvida.  Inúmeras são as demonstrações de amizade e fidelidade desses animais para conosco. Eu pessoalmente não sou, digo não era, uma apaixonada por cães. Na verdade sempre tive muito medo deles.
 Lembro de ir visitar minha tia. Eu morava num apartamento e minha tia morava em uma casa com um enorme cachorro. Lembro que ele era grande, “amarelo” e vivia na corrente. Lembro de reunir toda a minha coragem para passar a mão em sua cabeça e ele... Nhoc! Lascou uma “bocada” na minha perna. A mordida só não foi maior porque ele estava preso na corrente e eu estava usando uma grossa calça “LEE”.
Em outra ocasião minha prima teve uma de suas orelhas quase que decepada por um “cachorro amigo”.
 Cães sempre me assustaram.
Meu pai teve vários “cachorros de guarda” em sua oficina. Alguns deles acabaram indo para nossa casa... Mesmo assim eu nunca chegava muito perto deles... Queria distancia.
Quando eu era adolescente, uma amiga teve um cão “pequinês”. (Ainda existe essa raça?) Era uma fêmea e se chamava Bambina. Morreu em 1975 com suspeita de “raiva”.
 Ela foi a responsável por umas 80 pessoas irem diariamente, por longos 30 dias no hospital tomar injeções anti-rábicas. Eu não fui uma delas.
A Dra. Maria Tofani era a médica responsável pelo controle da raiva na ocasião e queria que eu tomasse a vacina, eu retrucava:
- eu só encostei nela uma única vez, e mesmo assim sem querer.
- Mas minha filha, você fez as unhas, retirou cutícula. Pode ter sido contaminada!
- Não, eu não vou passar 30 dias tomando injeções!
Decisão tomada passei 90 terríveis dias (acho que este era o tempo de incubação da raiva), pois depois de haver recusado a vacina e ver aquela multidão ser vacinada comecei a sentir medo. Um medo tão grande que num determinado dia tive uma crise de falta de ar que acreditei estar com a doença! Como diz o mineiro tive um baita “piti”.
Enfim, minhas experiências com cães não tinham sido boas!
Bem, isso até eu ter os meus filhos.
Tentei ludibria-los de todos os jeitos. Dizia a eles que morávamos em apartamento e não podíamos ter um cachorro, depois quando nos mudamos para uma casa comecei a comprar passarinhos, coelhos, hamster, periquitos...  
Todos esses animais passaram alguns dias em casa. O interesse das crianças por esses bichos acabava, o bicho fugia, ou era comido por algum gato.  Até que um dia eles ganharam dois pintinhos. Um deles morreu logo! Não deu tempo das crianças se apegarem a ele, mas o outro deu de crescer que era uma beleza!
 Eu olhava para aquela criatura cheia de penas e imaginava o que faria com aquele “ser” quando ficasse maior.
Definitivamente não havia espaço para um “frango” na minha vida.
E ele já não cabia dentro de casa. Sujava tudo, não era educado, começava a bater asas e soltar penas.
Resolvi coloca-lo no banheiro do jardineiro...
Péssima ideia! Esqueci de fechar a tampa do vaso!
Horas depois quando fui libertar o “frangote” no banheiro vi uma coisa branca boiando no vaso! Pernas para cima, inerte, todo molhado! O frango tinha se afogado no vaso sanitário.
 Me senti uma assassina!
Foi uma tragédia para meus filhos.  Foi o encontro deles com a “perda”.
Depois desta “tragédia” finalmente ficou resolvido que daríamos um cachorro para eles.
Na verdade, como meu aniversário estava próximo eles resolveram “graciosamente” me presentear com uma cachorra.
Agora temos 3 cães aqui em casa. Duas barulhentas e briguentas Duschaund e uma incansável Border Collie. Agora por onde vou os cachorros me seguem. Os “nossos” e o dos outros também.  Excetuando as raças ferozes, eu já não tenho medo deles. Gosto deles me preocupo com eles e me vejo levantando altas horas da madrugada para ver se estão agasalhados e alimentados. Meus filhos e meu marido que são “apaixonados” por cães ? Simplesmente dormem!
Mas o assunto é que mesmo hoje em dia  gostando de cães eu ainda não me acostumei com o excesso de cuidados que muitas pessoas têm com seus cães.
Para mim cão é cão. Pode ser amigo, fiel, alegre, manso, meigo... Mas é um cão.
Ontem conheci uma senhora que tem uns 40 cães em casa. Não consegue recusar nem “um”, pega todos os que ve abandonados ou que as pessoas abandonam em frente a sua casa. Ela está enfrentando vários processos por causa deles...
 Ela me contava sobre seus cães, os cuidados que dispensa para eles e eu simplesmente olhava para o seu rosto e me perguntava:
Por que! ? De onde vem essa paixão tão alucinante por cães!
Acho que Deus ouviu a minha pergunta, pois hoje ao abrir o livro de “São José dos Campos e sua História de Age Junior”, li um artigo referente aos usos e costumes dos nossos índios que me esclarece de onde vem toda essa paixão...
“o nativo estima tanto os seus cachorros que nos faz duvidar a quem tenham mais amor, se aos filhos ou a seus cães, ou talvez igualmente aos dois. Há muitas pessoas experientes que dizem que os índios, quando se desloca para fora da Aldeia, tendo algum cachorrinho, a filha ou a mulher dele o leva no colo, enquanto os seus filhos, embora pequeninos, que tenham paciência, têm que ir a pé. Até os índios já mansos e aldeados guardam esta preferencia pelos cães, por isso, quando comem, os tratam bem, sendo um bocado para o dono... e outro para o cachorro. Se a comida é pouca, a mulher e filhos que tenham paciência e jejuem, pois o cachorro tem na mesa do índio o segundo lugar abaixo do dono da casa...” (Revista de História e Geografia numero 7 ).
Ah bem... Agora entendi!