terça-feira, 26 de novembro de 2013

Os Doze dias do Natal


Entre o Natal e a Epifania são 12 dias.
São 12 os meses do ano.
12 Signos do Zodiaco.
2 ciclos de 12 horas em um dia.
12 trabalhos de Hercules.
As 12 Musas.
Os 12 apóstolos.
As 12 tribos de Israel.
Os 12 dias de Natal.
Depois do 12 vem o numero 13... e segundo alguns ele traz azar.
Em alguns países, nos prédios que constroem não existe o 130 andar.
Em alguns países o Natal começa no dia de Santa Luzia (13 de dezembro) e termina em 25 de dezembro:12 dias !

Em outros paises ele começa no dia 25 de dezembro e termina em 6 de janeiro... 12 dias !

terça-feira, 5 de novembro de 2013

PERSONAGENS DO SANATORIO VICENTINHA ARANHA - INES E TONINHO

Em Portugal eles se recordam da história de "Inês de Castro" uma dama da corte portuguesa que teve uma morte trágica. Ela era amante do filho do rei e temendo que um dia ela subisse ao trono os conselheiros do rei a mataram.
Contam que quando o príncipe virou rei, num gesto de vingança ele mandou que a desenterrassem e a coroou rainha. Esta vingança de nada adiantou para Inês... E vem daí a expressão:
“Agora é tarde... a Inês é morta”.

História dramática de um amor que perdura mesmo depois da morte.

Ná aqui em São José dos Campos também temos nossa Inês e sua história também é trágica, porém é as avessas da de Portugal; é na verdade uma história de abandono!
A história é narrada em um livro(1) que ganhei e conta sobre o abandono dos tuberculosos que nos primeiros 50 anos do século XX viveram e morreram em São José dos Campos. Naquela época a cidade era um local que acolhia os doentes desta doença.

Ela devia ser jovem, pois o relato não fala de filhos.
Inês vem para São José dos Campos acompanhando marido que estava tuberculoso. Embora sem nenhum sintoma da doença ela ignora os protestos do Dr. Nelson D Ávila e resolve dividir o quarto com o marido tuberculoso.
Eu fico imaginando os cuidados que ela deve ter tido com o esposo nesse período.
Depois de certo tempo Inês acaba contraindo a doença e seu esposo se cura, porem ele não repete o gesto da abnegada esposa.
Ele inventa uma desculpa e vai embora de São José dos Campos.
Nunca mais voltou.
Inês depois de algum tempo morre, na ala das moças pobres, pois além de abandona-la na cidade o marido não mais pagou sua estadia no hospital!

Muitas histórias de abandono aconteceram  nesse sanatório.
A tuberculose era naquela época uma doença que isolava a pessoa do convívio com a sociedade. Todos se afastavam dela com medo do contágio e isso incluía a própria família.
Essas pessoas vinham para São José dos Campos sem saber se voltariam ou não para suas casas. O clima de São José dos Campos aliado a uma boa alimentação e alguns procedimentos especificos eram a esperança desses doentes. O pai de uma paciente do sanatório escreveu um livro no qual chamava a cidade de “Ilha da Esperança”. Era só o que eles tinham...

 O livro conta também a história de “Toninho”. Um rapaz que foi trazido para se tratar em São José dos Campos pelo pai de uma moça que também estava em tratamento da tuberculosa.
Os pais de Toninho nunca vieram visita-lo. Quem cuidou dele foi a dona da pensão onde ele estava hospedado. Esta era uma situação normal da época. Algumas donas dessas pensões cuidavam dos doentes como se fossem suas mães!  
Toninho não melhora e um dia, quando fica muito mal a dona da pensão liga para o pai do rapaz para avisar do grave estado do filho. O pai somente pede para que ela olhe pelo filho...
Na mesma noite Toninho sucumbe a doença. Novamente a dona da pensão liga para o pai de Toninho avisando que o filho morreu e pergunta se o pai quer vir buscar o corpo para enterra-lo...
Toninho está sepultado em São José dos Campos... Seu pai não veio busca-lo, não veio ver o filho...

Sempre que ando no Parque penso em todos aqueles que sofreram naquele local, mas a partir dessa história dois personagens agora tem um nome... Toninho e Inês!


(1)  -  São José dos Campos – História e Cidade-  Coordenação Geral da Serie por Maria Aparecida Papali e Valéria Zanetti)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Como os homens Descobriram as Frutas ou a Expulsão do Paraiso Tupiniquim

Navegando pela internet encontrei esta preciosidade:



Houve um tempo que os homens não sabiam da existência das frutas. Também não sabiam da existência da mandioca, batata e milho. Alimentavam-se de carne e capim como viam fazer os bichos.

Mas, todas às vezes que o vento soprava em certa direção vinha um aroma delicioso, entendiam que tal perfume só podia vir de coisa saborosa.

No entanto qual fosse essa coisa,ninguém sabia!  
                             
Um dia um caçador capturou um Guabiru, estava próximo de matar o animal quanto veio aquele aroma,o rato percebeu o interesse do homem e atiçou-o:   

— Se você me soltar te levo ao lugar de onde vem este cheiro.                    

Passaram por caminhos desconhecidos e quando chegaram naquele lugar, o pequeno animal disse:        
                                                                            
— Este é o lugar. 
                                                                           
O rato explicou que tinha um roedor que fez seu ninho e não deixava ninguém comer as frutas, preferia perder as frutas do que deixar que os outros as comessem.   
                                                                           
O índio deixou o rato ir embora e o homem voltou para a aldeia. Quando o caçador contou aos familiares que tinha um roedor que fez um ninho no meio das árvores e não deixava ninguém comer as frutas, os índios zangaram-se tanto que decidiram derrubar a árvore. E derrubaram.

O curupira cuidador das plantas viu o que os homens fizeram e disse:

— Todos procederam mal! De agora em diante terão que trabalhar duramente para obter boas coisas.
Antes de ir deitou algumas sementes e foi.

No dia seguinte, os índios encontraram um monte de árvores frutíferas carregadas de frutas. Aprenderam que para obter várias coisas é preciso cuidar delas.

Lenda reescrita por Bernardo Melo e Eduardo Villares

domingo, 22 de setembro de 2013

Gruta de Nossa Senhora de Lourdes




 Ela ainda está lá... discreta mas firme.
Ouvi uma conversa que queriam demolir  porem desistiram, afinal ela faz parte da história religiosa do Brasil.
Quantos romeiros e caminhoneiros por ali pararam a caminho da cidade de Aparecida !


Na década de 60 era uma parada inevitável o “Posto da Gruta”. Romeiros e caminhoneiros que faziam o sentido São Paulo – Aparecida  sempre paravam no “ Posto do Parente” para tomar agua e visitar a “Gruta de Nossa Senhora de Lourdes”.  No caminho procuravam também pelos famosos biscoitos “Jacarey”.

Esta gruta me faz lembrar meu pai, imigrante italiano que assim que chegou no Brasil foi ser motorista de caminhão. Lembro que na volta de algumas viagens ele nos trazia uma lata dos biscoitos “Flor de Jacarehy”. Não era um biscoito que eu gostava muito, mas o tempo e a saudade fazem os biscoitos terem outro sabor.


A gruta está localizada à beira da via Dutra no  km 157  perto do “Bairro Jardim das Industrias” em  São José dos Campos. Agora é conhecida como: GRUTA – LANCHONETE CHURRASCARIA



A devoção no local começou a partir da década de 1950.
A Gruta foi construída pela família “Parente” que moravam  em Jacareí.

Na gruta está afixada uma placa com o nome do escultor : “Teixeira Machado”. 

sábado, 31 de agosto de 2013

SALMO 23 - VERSAO CAIPIRA


" O Sinhô é meu pastô e nada há de me fartá!
Ele me faiz caminá pelos verde capinzá.
Ele tamém me leva pros corgos de água carma.
Inda que eu tenha qui andá nos buraco assombrados, lá pelas encruzinhada do capeta;
não careço tê medo di nada, a  modo di quê,Ele é mais forte que o "coisa ruim".
Ele sempre nos aprepara uma boa bóías na frente di tudo quanto é inimigo.
E é assim que um dia quando a gente tivé mais pra lá do qui prá cá, nóis vai morá no rancho do sinhô pra inté nunca mais se acabá. Ameim!

 PARA COMPARAR AQUI VAI O ORIGINAL

SALMO 23

" O Senhor é meu pastor, nada me faltará.
Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva me para junto das águas de descanso, refrigera  minha alma. Guia me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo, o teu bordão e o teu cajado me consolam.
Preparas-me uma mesa na presença dos meus inimigos, unges me a cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida e habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre. Amem!


Avô Escravo


" O meu vô era escravo.
Minha avó criou meu vô e se casou com ele...
Na senzala era assim: ficavam todos os pretos no mesmo lugar e ai para eles não passarem frio eles faziam uma fogueira no centro e domia um assim abraçado com outro"
Dava dó do meu vô!
Meu vô sempre contava." 



Mestre Paizinho : Basta Cantar com o Coração

 
Ele é o Mestre  da “Companhia de Moçambique Unidos a São Benedito do Parque Bandeirantes de Taubaté”. Tradição herdada do avô há 65 anos e que era descendente de escravos. Durante a entrevista ele conquistou a todos com seu jeito simples e carismático e nos relatou os conselhos que recebeu de seu pai:

“ Filho, esteja você onde estiver, nunca deixe a vaidade ou a ambição falar acima daquilo que você não é, porque se você deixar isso acontecer então todo aquele ensinamento, a sua identidade, você vai estar jogando “pros lixos”. Então seja você mesmo, tanto numa escola rica ou numa escola simples.”

Num determinado ano o pai lhe disse que ele seria o Mestre da Companhia de Moçambique.

Mestre Paizinho disse ao pai que não daria certo ele cantar como Mestre porque iria ficar nervoso e “gaguejar”. O pai lhe respondeu: 

“Filho, basta cantar com o coração.” 

E então ele  nunca mais parou de cantar como Mestre.

(colhido por Doris)



UM POUCO DO CORPO SECO E DE MARIA PEREGRINA

Estavamos no cemitério Maria Peregrina no dia de Corphus Christi e uma senhora me contou :

- Minha mãe trabalhava na lavanderia do Vicentina Aranha

- Eu me lembro das Festas no Vicentina Aranha. Lembro das Festas de Corpus Christi. As freiras diziam: quanto mais gente melhor para trabalhar. Aumenta a produtividade para se fazer os tapetes da produção.

- A gente usava cedrinho, era linda a procissão!

- do Padre Rodolfo a gente sabe que ele andava na chuva e não se molhava. Ele veio se tratar de tuberculose em São José dos Campos. Era um Padre Santo mesmo e muitos alcançaram graças com ele. O Seu João Porto conviveu com ele.

- Meu pai ajudava o Dr. Estrepe a fazer autopsia nessa capela (Cemitério de Santana). Naquela época não tinha geladeira, então o corpo tinha bicho, mosca e aquele mau cheiro terrível!  Eles tinham de beber pinga para poder suportar o cheiro.

- Um dia ele estava exumando o corpo de um cadáver junto com seu companheiro que se chamava “Ceguinho”, (porque tinha os olhos meio fechado), foram desenterrar um defunto. Dizia que o corpo estava todinho seco e aí o amigo dele tirou o canivete e foi cortar e não conseguia... E o canivete rangia... Quuiiii quuiii quuiiii e não conseguia cortar.

- O corpo seco era devido à pessoa tomar remédio... O Corpo seco fica pelo mundo.
Meu pai se chamava “s. c. s.”. Ele dizia que tinha coragem de carregar o Corpo Seco nas costas...

- A Maria Peregrina eu conheci.
Minha tia morava ali perto onde ela residia debaixo de uma arvore que ela morava e ela tinha um saco dela com as coisas dela, a roupa tudo!  A gente criança tinha medo dela, sabe por quê? As crianças perseguiam ela, jogavam pedrada nela, né? Ela ficava brava com eles! Então a gente tinha medo de fazer alguma coisa na gente.
As pessoas ajudavam ela, davam alimento.
As crianças... Umas tinham medo, outras jogavam pedra nela. Os meninos principalmente.
Ela não mexia com ninguém, sabe...
As pessoas falavam para ela... De dar lugar para ela ficar. Ela dizia que tinha de morar debaixo de uma arvore para pagar a promessa pra mãe dela se salvar.
Porque a mãe dela fez não sei o que lá...
Ela dizia: Eu tive essa sina de pagar os pecados da minha mãe para ela não ir para o inferno.
As pessoas queriam acolher ela, dar um cantinho... Mas ela não queria!

É uma reviravolta...  Você se vê adulta, vem no cemitério com os filhos e vê o tumulo dela sendo estudado por jovens...


D. LILI E O PAUZINHO COLORIDO


Quando D. Lili era mocinha e morava na fazenda o pai contratou uma professora para lhe dar aulas.


 Um dia, enquanto estava tendo aula, os cadernos e lápis de cor estavam espalhados sobre a mesa, chegou um menino muito pobre que se sentou perto de onde D. Lili tinha a aula e ficou um bom tempo observando D. Lili e a professora.

Finalmente ao fim da aula ele se dirigiu em tom baixo, quase como a contar um segredo e disse para D. Lili:

- “quando você tiver um pauzinho desses que você não vai ocupar muito você me empresta?”


(ele não conhecia o “lápis de cor” e ficou encantado com aquele “pauzinho colorido”.

(colhido por Doris)

FANTASMAS NO PARQUE DA CIDADE

Noite muito fria de junho, estamos saindo do Atelier do Grupo Piraquara no Parque da Cidade! Uma neblina repentina baixa sobre a cidade. 
O frio, à noite, o parque vazio, pouca luz e a neblina montaram o cenário perfeito para o Bene se lembrar de que os vigias tinham algumas histórias para me contar.
M. e W. nos contam que o Parque tem seus fantasmas. Ele já os viu por diversas vezes. São vários. Não sabe o “porque” ou “para que” eles aparecem, mas o certo é que depois da meia noite estes seres surgem.
Uma mulher de longos cabelos negros usando um longo vestido branco. Braços caídos, sempre descalça costuma aparecer após a meia noite. Sempre de perfil. Assim que é notada corre e some na escuridão. O guarda anterior foi embora...Uma noite, durante a ronda deu de cara com ela sentada na mureta do Museu... chorou... passou mal... não quis mais trabalhar ali... nunca mais voltou!


Dizem que outro  “assíduo fantasma” é um grande cachorro preto. Certo dia W. tentou enxota- lo  até perceber que o tal cachorro não era ser desse mundo. O guarda correu para se esconder dentro de um dos galpões do parque.


Em outro dia M. estava dentro da sala de segurança e vigiava o Parque enquanto seu amigo fazia a ronda.  Viu pelo monitor um Sr. bem alto, todo vestido de preto, usando um chapéu também preto. Este Sr. foi até o portão colocou a corrente no portão, enfiou o cadeado na corrente, mas não fechou o cadeado...M. assustado com aquele Sr. andando a noite no parque “passou um rádio” para avisar seu amigo a ir atrás dele e manda lo embora. O amigo procurou... procurou... e não encontrou ninguém.
Na volta o amigo viu a corrente com o cadeado quase trancado e reclamou com o M.:


- Você queria me prender lá fora?


- Não fui eu... foi um homem vestido de preto!


Uma noite dessas, altas horas, o B. passou um rádio para todos os vigias do parque procurarem por três crianças que ele estava vendo no monitor.  Pareciam estar perdidas!  Os guardas procuraram... procuraram... não acharam ninguém.


Segundo  M., em São José existem outros locais repletos de fantasmas: o sanatório "Vicentina Aranha" é um deles.


Altino Bondesan em seu livro “São José em Quatro Tempos” nos fala dos sanatórios assim:“Os sanatórios são ilhas de sofrimento, ou de esperança, onde vivem os filhos do infortúnio...”.“... episódios dolorosos de sofrimento não faltam...”.


Quantas pessoas sofreram dentro daqueles prédios, quantos jovens passaram sua juventude sentados naquelas cadeiras de lona, angustiados, sem esperança, sem um familiar ao seu lado esperando a cura, nutrindo uma esperança que se esvanecia cada vez que via o seu colega de quarto morrer?


 Não é para menos que M. nos fala que após trabalhar no Vicentina Aranha como vigia por dois anos:


- “tem cada coisa lá que é inacreditável!”


Fazendo sua ronda noturna ele ouviu as janelas do pavilhão principal bater. Pediu para o carpinteiro consertar. 
De fato durante o dia viu o carpinteiro pregar enormes pregos na janela, mas naquela mesma noite voltou a ouvir... plác, plác, plác...
Imediatamente pensou ser outra janela com o mesmo problema da que fora consertada naquele dia, porem ao chegar no local  percebe que é a mesma janela, novamente aberta, sem os enormes pregos colocados aquela tarde: plác, plác, plác!


E se você for lá a noite com certeza ouvirá...plác, plác, plác...


Atualmente o Vicentina Aranha é um local aprazivel frequentado por muitas pessoas que gostam de fazer suas caminhadas entre suas belas árvores e é porisso que todos nós conhecemos aquela pequena construção que parece uma Capela, localizada na saida da Avenida 9 de julho: o antigo necrotério; sempre fechado!


De madrugada, depois da meia noite dizem que com certeza você ouvirá estranhos barulhos vindo do prédio.
Você ouve gemidos , pessoas , moveis que parecem estar sendo arrastados!
Certa noite ele saiu decidido a descobrir o que eram aqueles barulhos.  Pegou a chave do necrotério, pôs no bolso e começou a ronda. Ao passar pelo pequeno necrotério novamente ouve os barulhos. Pega a chave, abre a porta, acende a luz e nada... absolutamente nada... nem bichos, ratos, aves, nada! Segundo ele não havia nada lá dentro que poderia provocar estes sons! 
Apaga a luz, tranca a porta e... o barulho inicia novamente...


Talvez existam pessoas mais propensas a ouvir e ver esses fantasmas: M. talvez seja um deles!


Há mais ou menos um ano atrás, M. e seu cunhado perderam um grande amigo comum. Ele ainda era funcionário do “Vicentina Aranha” e estava na portaria assistindo TV.
De repente aparece na sua frente o seu amigo recentemente falecido! Ele se assusta mas recebe o recado do fantasma que deve ser transmitido ao cunhado.
Ainda assustado assim que “o amigo falecido” desaparece ele liga para o cunhado e passa o recado:


- Oh cunhado, aquele nosso amigo falecido apareceu para mim e mandou te dizer que ele ficou te devendo algo e quer te pagar!


O Cunhado após o choque inicial começou a pensar.
Pensou, pensou e só então se lembrou de que o defunto  de fato lhe devia R$ 1.000,00 reais.
Morto de medo o cunhado respondeu:


- Arre! esquece... fala para ele que já está pago!(sabe se lá como seria essa transação, não acha?).


Segundo W. alguns atores que ensaiam teatro nos palcos do Parque costumavam rir de casos assim. Não acreditaram nele quando ele disse ter visto o enorme vaso de jardim se arrastar pelo chão de um lado para o outro, até o dia que os atores ensaiavam uma apresentação. De repente vários deles viram uma estranha mulher surgida do nada que caminhava com os braços cruzados por sobre o tablado, indo e vindo, indo e vindo até que assim como veio, ela sumiu! 

Todos ficaram assustados... e o W.concluiu :


- “A gente falava para eles (os atores), eles riram! Agora? Eles viram!”.


A neblina continua a baixar. Todos nós estranhamos a névoa cair tão rapidamente sobre a cidade. Mais que depressa resolvemos ir embora...
e nesta noite a neblina foi muito densa em toda a cidade ...
(Colhida em 28/7/2012) - Doris


DE MAE PARA FILHA / O COMEÇO DE UMA TRADIÇÃO

Um jovem marido perguntou a sua esposa se ela sabia fazer aquela receita de “filet mignon” como sua mãe havia feito para ele antes de se casarem. A esposa respondeu que sim!
De fato,  no domingo ela fez o “filet mignon” conforme sua mãe havia lhe ensinado.
Comprou o “filet mignon”, cortou as pontas do filet, deixando somente o palmito, temperou conforme sua mãe lhe ensinara e assou.
A carne ficou muito boa e o marido ficou contente  porem curioso perguntou a esposa:

- Esposa querida, porque você cortou as pontas do” filet mignon”?

A esposa respondeu:

- Foi assim que aprendi. Minha mãe fazia desse modo e então eu faço do mesmo jeito!

Curioso o marido da jovem esposa foi perguntar a sua sogra:

- Querida sogra, sua filha preparou para mim aquele “filet mignon” que você prepara divinamente e também ficou muito bom, porem eu gostaria de saber por que você ensinou a ela a cortar as pontas do “filet mignon”?

A sogra respondeu:

- Meu querido genro. Foi assim que aprendi com minha mãe, e então eu faço do mesmo jeito!

Intrigado o jovem marido foi até a avó de sua esposa e perguntou:

- Querida avó de minha esposa! A sua neta preparou para mim aquela receita de família do “filet mignon”. Ficou muito boa, mas eu queria saber o porquê vocês cortam as pontas do “filet mignon”!

A avó da esposa respondeu:

- Querido marido de minha neta. Eu não sei o porquê elas cortam as pontas do “filet mignon” quando preparam a carne, eu cortava porque a minha panela era pequena e não cabia um “filet mignon” inteiro!

Vai-se entender quais são as lógicas de uma tradição... rs rs


(colhida por Dóris Bonini de A.S/agosto 2013)


Como Rezar


... quando você reza uma oração você tem de falar : Amém, Jesus, Graças a Deus!
Esse é o segredo da oração, entendeu?  Porque você esta oferecendo pra Deus. Agora se você falar só “ Amém” você  esta oferecendo para o mal, porque ele também fala Amém.  Agora se você fala “Amém Jesus, Graças a Deus” você esta oferecendo pra Jesus, que derramou o sangue dele na cruz por nós, e a Deus, o Pai dele que é o Criador de tudo.”


(Colhida em fevereiro de 2012 por Doris)

A FIGUEIRA / ARVORES ENCANTADAS DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

O homem foi expulso do paraíso por ter comido o fruto de uma árvore proibida: a maça.  Assim que a comeram, Adão e Eva tomaram consciência da sua nudez e se cobriram com uma folha de figueira.

Conhecida em alguns lugares como Figueira em outros como Gameleira, paira sobre este gênero de árvore certa desconfiança de ser azarenta, arvore do diabo, com influencias maléficas sobre o homem.

Curiosa como sou, vou sempre em busca de explicações para as coisas que leio  e acabei encontrando que a figueira era o símbolo da nação de Israel e em uma passagem do Novo Testamento Jesus amaldiçoa a Figueira por ela não ter lhe dado bons frutos.

Será que devemos a esta “maldição” a origem da má fama da Figueira?

Com o crescimento do cristianismo no mundo e a perseguição aos judeus que se seguiu, acredito que esta seja a possível origem da má fama da figueira.

Conta-se em Minas Gerais que na Semana Santa, mais precisamente na sexta feira da Paixão, aparece debaixo da gameleira um diabo com seu tridente. Dizem que ele vem para buscar a alma das pessoas descrentes!

Certo é,  que quando eu morava em Belo Horizonte, e nos fim de semana ia passear na fazenda, as pessoas sempre me alertavam para que eu não passasse debaixo da frondosa Gameleira que lá existia, pois debaixo dela;  me alertavam :
- Costuma aparecer o diabo!
Me atemorizavam dizendo que ele apareceria na forma de um lindo rapaz e que eu só poderia saber que era o diabo se eu olhasse para seus pés que eram como as patas de um boi.

 Lembro-me de certa vez ter conhecido um rapaz tão lindo que imediatamente olhei para seus pés para garantir que ele não era o “diabo”. Triste decisão... Os pés do rapaz não eram de boi... Mas eram muito feios!
Será que ele era o diabo?

Aqui em São José dos Campos existem diversas histórias sobre a maldição das Figueiras.
Uma delas quem nos conta é a escritora Rita Elisa Seda.
Ela recolheu esta história:
“um dia 3 ciganas morreram e o grupo tentou enterra- las no cemitério, mas tiveram a permissão negada e as enterraram do lado de fora. Ali mesmo nasceram três Figueiras que tiram o sono dos moradores”.
Algumas pessoas dizem que em determinadas noites pode se ouvir o choro das figueiras...
Qual que é a gente não sabe, mas que chora... chora...

Lucilene foi criada no bairro de Santana e me contou que as Figueiras sempre assustaram a criançada. Quando ela era menina todos tinham medo de passar embaixo da Figueira. Era ato de coragem passar debaixo dela durante a noite. Quando começaram os namoricos e alguém queria ficar tranquilo sem ser interrompido era sob as folhas da Figueira, a noite, que o casal de namorados se escondiam.
Lugar mais seguro não havia!


Bibliografia:




A LENDA DA MULHER CHORONA

Era uma vez... Uma mulher que tinha sete filhos e um marido alcóolatra.

Certo dia seu marido após beber muito  matou os sete filhos e em seguida se suicidou.

A mãe chorou muito. Nunca mais conseguiu parar de chorar a perda dos filhos.

Não suportando tanto sofrimento a pobre coitada também se suicida atirando se no rio.
Dizem que durante a noite, lá,  na Vila Letônia, às vezes, ela aparece... 

Quando ela aparece ouve se seu choro. Ouve se também outro barulho... Um estrondo:

- TRRRRAMMM ... TRRRAAAM ... TRRAAAMMM. 

È a tampa do caixão que vem seguindo a Mulher Chorona.

Se vocês se encontrarem ela lhe dirá:

- Cuidado! Eu não faço nada, mas quem vem atrás de mim faz!

Com certeza ela se refere ao marido que deve vir atrás dela...


E o caixão? O que será que tem dentro do caixão ?


Não tenho nem ideia... Se voce souber me conte!


(obs: descobri que ela puxa o caixão com o corpo do marido pelas ruas)


(Colhida por Dóris de A.L / janeiro 2012)

O CAPITÃO E AS BATATAS (D. Lili na Revolução Constitucionalista)

D. Lili é mestre Figureira e tem muitas histórias interessantes para contar. Esta é uma delas:
A vida na fazenda do Sr. Nogueira era muito boa.  Muito fubá, abobora e...  Batatas!
A produção das batatas que o pai de Lili plantara naquele ano fora muito boa.
 Estavam colhendo tantas batatas que seu pai dissera:
- Vamos perder batatas!
Era tanta "batata" que os “camaradas” começaram a levar as batatas para darem para a “criação”.  Mesmo assim tinha muita batata.
Lili, então com seus 12 anos, resolveu fazer algo:
- eu montei uns pedaços de tijolos e fiz um fogão de 2 bocas, enchia de água e cozinhava as batatas. Coloquei 5 latas lá.  Você lembra-se das latas de banha com um porco verde desenhado nelas? 
Um dia, eu estava cozinhando as batatas chegaram 5 soldados. Ficaram encostados no barranco me olhando cozinhar as batatas até que um deles me falou assim:
- Menina! O que você está cozinhando ai?
- Ah! Eu estou cozinhando batata para dar aos porcos.


- E a gente pode comer?
- Pode comer, sim! Isso aqui é limpo. Todo dia eu lavo a lata e ponho as batatas para cozinhar.
Pois eles comeram todas as batatas e em seguida deitaram no chão e começaram a dormir. Estavam mesmo muito cansados e agora com a barriga cheia, caíram no sono!
A partir desse dia, todos os dias chegavam novos soldados. Sempre morrendo de fome, muito cansados, cheirando a pólvora, sujos, cabelão desgrenhado, barba comprida, unha suja, descalços de pés no chão. 
“Aí, porco nem comia mais nada! Berrava lá do chiqueiro porque quando você cozinha a batata ela cheira longe. Comecei a levar abóbora para eles.”
 Quando foi um dia, acho que numa sexta feira, passou um soldado bem grandão, ele era “Capitão” em Santa Catarina e era presidente da Congregação Mariana, lá!
 Passou lá, comeu as batatas e depois me falou:
- Filha, se não fosse você dar essa batata aqui para nós eu ia morrer de fome, porque eu não estou aguentando mais.
Olha o que eu estou comendo aqui! 
Você sabe que na minha casa, o meu cachorro, nunca comeu nem fubá nem batatas! Eu nunca digo que dessa água não bebo: quando que eu ia dizer que tinha que comer esse fubá com batatas?
E deitou se na grama e dormiu de tanta canseira!
E isso foi lá na Fazenda do Dr. Nogueira, em Taubaté...


(colhida por Dóris)

 * Revolução Constitucionalista de 1932, Revolução de 1932 ou Guerra Paulista, foi o movimento armado ocorrido no Estado de São Paulo, entre os meses de julho e outubro de 1932, que tinha por objetivo a derrubada do Governo Provisório de Getúlio Vargas e a promulgação de uma nova constituição para o Brasil (http://www.portalviva.com.br

Entrevistando D.Lili Figureira

Hoje eu, Doris e Francisco , conhecemos a famosa D. Lili Figureira.
Fomos recebidos em sua casa por sua filha Fatima.
Entramos na casa e em poucos instantes D. Lili com seus 94 ano se juntou a nós. Veio amparada pelo seu andador pois tem dificuldade para andar e  tem sentido muitas dores.  Logo a seguir vem sua filha Francisca com ar muito alegre e animado em sua cadeira de rodas.
D. Lili  senta no sofá e prestativa se prepara para as perguntas.
Nossa intenção para o dia de hoje era perguntar sobre as tradições da Semana Santa que D. Lili conhece. Tentamos nos ater a esta data, porem para mim foi quase impossível.
Ela nos conta que seu nome é Maria Benedita dos Santos. Nasceu em 20/09/1918 na “Fazenda do Barreiro ou Quilombo” em Taubaté.  Nasceu e foi criada nesta fazenda do Senhor Rei do Café, o Coronel Benedito de Matos.
Casou se com José Benedito dos Santos com quem teve 6 filhos: Francisca, Pedro, Donizete, Dimas, Fátima e Benedito.
Uma de suas avós se chamava Porcina, era filha de um Sr. Andrade (a), que veio não se sabe exatamente de onde, talvez inglês, para trabalhar na construção da Estrada de Ferro. Veio ao que se sabe fugido e casou se com Maria Clara. Foi essa avó Porcina que ensinou a D. Lili a fazer cumbucas e panelas de barro para serem vendidas no povoado quando ela tinha 6 anos.  
Sua outra avó foi escrava. Se chamava Benedita, e casou se com o Sr. José Ela nos conta que nas Quartas Feiras de Cinza os tios dela que gostavam de música, eram obrigados a literalmente “colocar as violas no saco”, pois era dia em que não podia ter cantoria. Não se tocava nada, os oratórios de dentro das casas assim como os das igrejas eram recobertos com panos roxos.
Na quaresma, todos os dias, se reuniam com os vizinhos, tomavam café com biscoitos e tinham de rezar o terço, porem ela não gostava, tinha muita preguiça, pois o terço é muito demorado.
Durante a Semana Santa, a partir das 12:00hs da quinta feira, não se trabalhava e eles iam pegar  peixe. Pescavam o peixe com uma rede feita com o cipó “timbó” e estopa e pescavam  o tanto quanto a rustica rede suportasse;  quando ela se desfazia não se podia mais pescar naquele dia.  Pescavam e fritavam o peixe  na quinta feira , pois não podiam fazer nada na Sexta feira da Paixão, nem barbear-se, brincar, pentear cabelo etc...
- nada que era bom se podia fazer na Sexta Feira !
Os peixes que pescavam eram o bagre, a traíra e o lambari. Comiam o feijão miúdo, farinha, porem não podiam  comer carne. Segundo sua avó, nem ovo se podia comer já que no futuro o ovo se transformaria em carne. Além de não comerem  carne, deviam se alimentar nos horários certos, nada de ficar comendo fora das horas estipuladas... Isto fazia parte do jejum.
Iam para a Igreja rezar na sexta feira, e no sábado a partir do 12h00min dia começavam a  comemorar a ressurreição de Cristo.
As matracas eram usadas tanto na sexta feira para anunciar a morte de Cristo como no domingo para celebrar a Ressurreição, o ritmo dos toques se diferenciavam (provavelmente um mais lento e lúgubre outro mais alegre e ruidoso).
Faziam  um bolinho de mandioca com lambari e o fritavam, assim como paçoca com banana. Esses alimentos eram consumidos na sexta feira santa durante a procissão e durante a noite da vigília. D. Lili nos diz que detestava aquele bolinho com aquele peixe enrolado. A cabeça do peixe ficava de fora do bolinho e:
- aqueles olhinhos do peixe me davam nojo!
No sábado de Aleluia, era o dia de “malhar o Judas”, e D. Lili esclarece o fanatismo das crianças em abater e estraçalhar o Judas.: Ele era recheado de balas! D. Lili nos conta que seu pai era dono de um armazém e que ela podia comer a bala que quisesse, mas:
- o meu gosto era pegar aquela caída do céu!
No domingo de Pascoa era dia de roupa nova e comer o “fogado”.
Contou-nos também que até 1930 mais ou menos tinham uma boa vida. O pai tinha armazém e ela queria estudar. Porem com a queda do preço do café no Brasil, seu pai que tinha todo o seu investimento em café perdeu tudo e ela teve de “pegar na enxada”  pela primeira e trabalhar junto com seu pai na tropa.  Faziam carvão e rapadura para vender em Caçapava e traziam mantimentos na volta. Na viagem para se alimentar a carne seca vinha pronta de casa e para fazer o arroz armavam a “Rita” (tripé onde se colocava a panela para cozinhar no mato). O fogo era feito com taquaras que quando queimava levantavam cinzas e caia na comida, então:
- comia –se carne seca, arroz e carvão!
O café que era feito nessas viagens era horrível, pois usava se 3 pedrinhas de carvão para o pó permanecer no fundo.
Sempre quis estudar porem não conseguiu. Relata-nos que seu irmão quando chegou da 2a Guerra Mundial veio com um Diploma e isto sempre foi um motivo de tristeza para ela que também desejava um . Em 2004 ela também recebe o seu tão sonhado titulo. 
Somente aprendeu  a fazer as 4 operações, mesmo assim era a responsável pela cobrança do aluguel dos tropeiros que alugavam o galpão da fazenda, além de fazer o pagamento dos funcionários.
Refere-se como muita gratidão ao Patrão que lhe ensinou as 4 operações.
Comentou também que os donos da fazenda, o Cel. Benedito de Matos não era “bem quisto”  pelos empregados, porem um de seus filhos que já havia viajado para a Europa era muito atencioso, assim como a sua esposa. Esta  Senhora fazia questão de dar o enxoval completo e o vestido de noiva para aquelas que trabalhavam na fazenda e iam se casar. Ela as acompanhava até a loja e fazia questão que escolhessem o que realmente gostavam.
Na  Pascoa, levavam comida ao presos, alguns deles ao receberem carne para comer, choravam.
Lili nos colocou diante de fatos que para julgamos normais, mas que na época eram um verdadeiro acontecimento:
1 - certa vez o bisavô, já casado, convidou as crianças para irem conhecer a novidade: o trem que vinha de São Paulo para Taubaté.  Avisou a todos para que não temessem, pois o trem não saia dos trilhos, porem quando ao longe as crianças viram o trem apitar elas se embrenharam no mato assustadas. Após a passagem do trem, os pais, tiveram que buscar os filhos no meio do mato. A avó de Lili conta que não fugiu, mas que segurou com muita força na calça do pai...  Outros tempos!
2 – Num determinado período teve uma professora (Isabel) que ia em sua  casa lhes ensinar. Num desses dias receberam a visita de um “cumpadre”, que ao vê - las escrevendo com o lápis disse:
- D. Isabel, quando a Sra. tiver um “Pauzinho” desses que a Sra. não vai ocupar muito a Sra. leva lá em casa para eu fazer um desenho?  
3 – Um parente dela que pertencia a Irmandade do Santíssimo aqui em SJCampos, mas que morava em S.José do Barreiro, numa de suas vindas para São José numa Sexta Feira Santa, ficou descontente com as camisas que a filha lhe havia aprontado para a viagem. A filha querendo consertar a situação resolveu lavar a camisa e foi rumo ao rio com o sabão e a bacia nas mãos.  Assim que começa a passar o sabão na camisa  percebe um risco vermelho. Não se dando conta do que podia ser, torna a passar o sabão na camisa e novamente o risco vermelho reaparece. Assustada percebe que é sangue e que as Sextas Feiras Santas não se pode lavar roupa, larga a camisa e o sabão na beira do rio, apodrecendo...

Quando se mudou para o Jardim Ismênia, lá não havia Igreja, havia somente um lote cheio de mato. O dono do lote ao ser inquirido do valor do mesmo para a venda  disse querer a quantia de 12 contos . O Padre José Paduan, da Paróquia do Colonial( que lhes prestava assistência espiritual), comentou com seu marido  que  tinha 12 contos para receber, mas ia demorar um pouco. O dono do lote porem só venderia por 12 contos naquele dia, se fosse no dia seguinte seria mais caro. O esposo de Lili confiando no padre  colocou sua casa em garantia e retirou os 12 contos para comprar o lote. Pouco tempo depois o Padre recebe os 12 contos e resgata a casa de Lili e José Benedito.
“Hoje no local ergue se “a “ Capela do Divino “.

Obs : Cançao que D. Lili Figureira diz ter aprendido com os pais. Quem teria ensinado foi o avô que era estrangeiro... Ingles ?
“Num só sentimento unidos,cheios da mesma alegria,
digamos unindo as vozes, a universal  harmonia.
Coro brilha no seu estrelado, do cruzeiro a constelação.
Altivos de nossa fé , de Cristo vendo os primores,daquela que excede a todos, digamos entre louvores:
Coro brilha no céu, da virgem proclamamos, a ventura sem igual,e celebrando a digamos,neste hino triunfal “

(Colhido por Doris / Quaresma 2012)

CIDADE X CAMPO

Hoje um amigo resolveu por a mão na massa. Plantaram a cana e hoje estão na colheita.
Preparam-se para fazer a tradicional “Taiada”. Com toda essa modernidade acompanho toda a função através de fotos via facebook se bem que a vontade era estar lá com eles.
Estão também preparando o café. O Fruto nas árvores, a colheita a torra e a moagem, tudo isso podemos ver, mas meus outros sentidos estão reclamando... Só o visual não basta! Preciso sentir o aroma, tocar o grão, ouvir o barulho e provar...
De qualquer forma participo desta função e isso é muito bom!

Pensei nas pessoas que nunca participaram destes momentos no campo. Bater uma manteiga, colher ovos, tratar a criação e me lembrei de um fato ocorrido com minha irmã mais nova... Ela achava que o leite saia pela boca da vaca! Estranhou quando viu de onde saia... mas ela ainda era criança! Às vezes ouço histórias que demonstram o quão urbanas estamos nos tornamos. Certa vez durante uma viagem ao interior, o pai junto com a filha de três anos viu à beira da estrada um desses restaurantes onde o proprietário  amarra uma vaquinha para tirar leite e servir para a criançada. Todo feliz o pai desce do carro e leva a filha para ver este “grande evento”.  A filha começou a observar e mais observava mais seus olhos se abriam impressionados... até que saiu com essa:

- pai! De onde sai à caixinha?


Seria muito bom se a história acabasse por ai...  Mas demorou alguns meses para que essa mesma criança voltasse a tomar leite!