sábado, 1 de março de 2014

PARQUE VICENTINA ARANHA - O ENGENHEIRO E A VELHINHA

O Parque Vicentina Aranha foi um antigo sanatório para tuberculosos aqui da nossa região. Local marcado por muitas histórias de abandono e sofrimento... 

Hoje em processo de restauro o local é um dos pontos preferidos para uma boa caminhada, um pouco de exercico e relax do dia a dia da cidade. O local está repleto de histórias e lendas do passado... 


Essa historia me foi contada há pouco tempo e aconteceu em meados de 2012.
Maria me contou jura que é verdade!
Ela gosta de malhar e para lhe orientar nos exercicios fisicos ela contratou como personal trainer; o João.
Três vezes por semana João e Maria costumam fazer os exercícios no Parque Vicentina Aranha.
Aquele deveria ser só mais um dia de exercício fisico. Já estavam quase em frente ao portão que dá acesso ao Parque quando viram um "jovem senhor" mais ou menos com seus 50 anos,  correndo á sua frente.

Em direção contrária a eles, vinha caminhando, uma senhorinha baixinha, velhinha e grisalha que ao passar ao lado do “senhor cinquentão” o agarrou pelo braço e lhe disse em voz alta e firme:

-  Moço ! Não entra ali hoje não que hoje não é seu dia !

O senhor em questão diminui o passo, olhou de lado, não respondeu e seguiu seu caminho.

Nesse momento Maria e João passaram a frente do senhor e continuaram a correr .

Completaram a primeira volta e estavam completando a segunda volta quando perceberam um pouco adiante um tumulto: as pessoas correndo, outras com a mão na cabeça e outras agachadas no chão.

Diminuíram o passo.
Curiosos e cautelosos se aproximaram do tumulto e levaram um susto: Caído no chão, agonizando, aquele senhor que fora avisado pela velhinha para não entrar no Parque!

O resgate chegou e levou o senhor, agora já identificado como um “engenheiro da  Embraer “ para o Pronto Socorro !

Maria e João assustados, tentaram localizar a tal “velhinha”.  Procuraram pelos porteiros do Parque e perguntaram se eles a conheciam ou haviam visto o ocorrido... Eles disseram que não haviam visto nada! Ninguém havia visto a tal velhinha... somente eles dois.

O Senhor, Engenheiro da Embraer não resistiu ao infarto e faleceu no hospital.


Por isso lhe aviso... tenha muito cuidado ao entrar no Parque... Se a velhinha aparecer para você e lhe avisar... obedeça... NÃO ENTRE !



Colhido por : Dóris - março 2013

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Os Maias e os Maios e a Festa da Santa Cruz


Na minha busca pela origem da Festa da Santa Cruz no Brasil encontrei este texto. Eu não poderia descrever melhor e por este motivo coloco aqui na integra o texto colhido em :



"Ernesto Veiga de Oliveira descreve com rigor esse costume do povo português que tem algumas nuances regionais.

Segundo ele, o 1º de Maio é o Dia das Maias e comemora-se em Portugal, de um modo geral, pela oposição das «Maias», ou seja, de giestas ou flores, sob diversas formas, em portas e janelas e noutros locais. Ao contrário de outras regiões, em Trás-os-Montes surge ao lado de outras práticas, que são independentes mas de significações convergentes.

Na faixa ocidental atlântica do País, não existe qualquer prática alimentar associada. Mas em Trás-os-Montes e nas Beiras as «Maias» estão associadas às castanhas, que muita gente guarda de propósito para esta data. Segundo Jorge Lage, no 1º de Maio devem-se comer castanhas. Caso contrário, ao passar-se por um burro, este atira-se à pessoa e morde-a Diz o ditado «quem não come castanhas no 1º de Maio, monta-o o burro». Isto porque Maio é o mês dos burros, como afirma o povo. O uso de comer castanhas secas em Maio, terá a ver com a tradição muito antiga de no 1º dia o chefe de família ir à fonte e esconjurar ou afastar com favas pretas os espíritos (o «Maio») da sua família. Daí a expressão «Vai à feira e traz-me as maias (as castanhas piladas)».

De um modo geral, o cenário das várias celebrações cíclicas compreende cerimónias de véspera. A colocação de giestas faz-se no dia 30 de Abril para que as casas estejam floridas no momento em que começa o dia, para o «Maio», o «Carrapato» ou o «Burro» não entrarem. O «Maio» ou o «Burro» são entidades nocivas, cujo malefício se pretende conjurar com ma oposição de flores ou a manducação de certas espécies.

Em Trás-os-Montes, além de se enfeitarem as portas das casas com flores de giestas, as raparigas adornam um menino que dizem repre­sentar o “Maio-Moço” e passeiam-no pelas ruas com grande ruído alegre, cantando e bailando em volta dele.

A origem da tradição das Maias perde-se no tempo e pode ter várias explicações. Segundo alguns, a Maia era uma boneca de palha de centeio, em torno do qual havia danças toda a noite do primeiro dia de Maio. Por vezes, podia ser também uma menina de vestido branco coroada com flores, sentada num trono florido e venerada, todo o dia, com danças e cantares. Esta festa, de reminiscências pagãs, foi proibida várias vezes, como aconteceu em Lisboa no ano de 1402, por Carta Régia de 14 de Agosto, onde se determinava aos Juízes e à Câmara "que impusessem as maiores penalidades a quem cantasse Maias ou Janeiras e outras coisas contra a lei de Deus...". Ainda segundo outros, o nome do mês de Maio terá tido origem em Maia, mãe de Mercúrio, e a ele está ligado o costume de enfeitar as janelas com flores amarelas.

Seja como for, todos estes rituais pagãos estavam ligados ao rito da fertilidade para com o novo ciclo da natureza, à celebração da Primavera ou ao início de um novo ano agrícola. Mais tarde, houve necessidade de lhe incutir algum sentido religioso, promovendo a sua ligação à Festa da Santa Cruz ou ao Corpo de Deus. Esse facto pode justificar a lenda do Alto Minho, segundo a qual Herodes soube que a Sagrada Família, na sua fuga para o Egipto, pernoitaria numa certa aldeia. Para garantir que conseguiria eliminar o Menino Jesus, Herodes dispunha-se a mandar matar todas as crianças. Perante a possibilidade de um tão significativo morticínio, foi informado, por um outro "Judas", que tal poderia ser evitado, bastando para isso, que ele próprio colocasse um ramo de giesta florida na casa onde se encontrava a Sagrada Família, constituindo um sinal para que os soldados a procurassem e consumassem o crime... A proposta do "Judas" foi aceite e Herodes tratou de mandar os seus soldados à procura da tal casa. Qual não foi o espanto dos soldados quando, na manhã seguinte, encontraram todas as casas da aldeia com ramos de giesta florida à porta, gorando-se, assim, a possibilidade do Menino Jesus, ser morto.

Talvez resultado desta lenda, hoje em dia ainda é possível observar em algumas zonas do nosso país, a colocação de ramos de giestas em flor, ou até mesmo coroas feitas de ramos de giestas, conjuntamente com outras flores e enfeites coloridos, nas portas e janelas das casas ou nos automóveis, na noite de 30 de Abril para 1 de Maio.

Nos variados aspectos, por vezes tão distintos, das celebrações do 1º de Maio, ter-se-ia pois operado um sincretismo de práticas e crenças, talvez de origens diferentes mas todas convergentes, recobrindo a obscura ideia, que subsiste no espírito do Homem, da necessidade de desencadear formas efectivas de protecção e de esconjuro a opor à insegurança da vida e à omnipresente ameaça do mal."



obs : A giesta é um arbusto usado tanto para decoração como para fazer cordas. outra caracteristica interessante é que é um arbusto usado pra restaurar a fertilidade de terrenos onde os cereais são cultivados. Segundo a crença em Portugal a giesta tem a propriedade de "afastar o diabo e o mau olhado das casas", e afastar os carrapatos. Tambem conhecida como "maia" ou vassoura de bruxa.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Rei Momo e Pereirões



(Dóris Bonini)


Depois de tantas festas lá estou eu, voltando ao Piraquara !

O pessoal já esta  se preparando para botar o bloco na rua: O Pirô-Piraquara

Este é o meu terceiro ano, mas o Pirô já sai há  27anos !

Vendo aquele “recomeço de agitação”   lembrei da  teoria que desenvolvi  e que volta e meia “ martela” nos meus pensamentos e me faz pensar, ou  melhor dizendo,  me faz ter a certeza da verdadeira “origem dos bonecões”.

Sei que existem inúmeras histórias, lendas, versões para o aparecimento desses enorme bonecos feitos de papel, vime, jornal, massa etc...
Existem relatos dos “cabeçudos”,  “gigantones” em Portugal assim como em toda a Europa e nos EUA. Em Portugal  consegue-se  localiza los  no século XIII ,  aqui no Brasil os mais famosos são os de Olinda.

Eu me lembro desde pequena da figura constante do Reio Momo nos carnavais. Pode se dizer  com certeza que onde tem carnaval no Brasil também tem Rei Momo e sua eleição é acompanhada com muito interesse.
Alguns atributos são indispensáveis  num verdadeiro Rei Momo tais como ser grandalhão, obeso, alegre, animadíssimo e apaixonado por carnaval.


Tenho para mim que nada se cria, tudo se transforma e nós ainda somos os mesmos.  As nossas  manifestações ainda são as mesmas de milênios atrás. Lógico que elas vestiram uma roupagem diferente,  mas representam e nos fazem ter o mesmo sentimento daqueles seres que viviam no passado longínquo...  

É nossa mente ancestral... repaginada!

Alguem disse que :

"... é possível perceber que as emoções associadas a uma atividade frequente e aparentemente simples evidenciam um complexo entrelaçamento entre aspectos biológicos e culturais"(1)
É a deusa Mnemósine, personificação da "Memória" , irmã de Cronos e Ocean. Omnisciente ela sabe " tudo aquilo que foi, tudo aquilo que é, tudo aquilo que será." Quando possuído pelas Musas, o poeta inspira-se diretamente na ciência de Mnemósine, isto é, no seu conhecimento das "origens", dos "primórdios", das genealogias. " "Com efeito, as Musas cantam  o aparecimento do mundo, a génese dos deuses, o nascimento da humanidade. O passado assim desvendado é mais que o antecedente do presente: é a sua fonte. Recuando até ele, a rememoração procura, não situar os acontecimentos num quadro temporal, mas atingir o fundo do ser, descobrir o original, a realidade primordial de onde proveio e que permite compreender o devir no seu conjunto." (2)

Enfim tudo o que foi escrito acima é para preparar vocês para dizer que a minha teoria e a de que os Pereirões, Gigantões  etc... se originam das festividades do  "Reio Momo". Não desse Rei MOMO atual, afinal ele também é originário desse "Momo ancestral" a que me refiro. Enfim eles representam a mesma coisa! Os Pereirões são os Reis Momo do carnaval, que vieram de costumes ancenstrais.

Aqui vão as minhas explicações: A ligação dos Pereirões com o Rei Momo.
No ano retrasado quando eu fazia pesquisa de campo sobre o carnaval de SJC e arredores o Benê , um Mestre na arte dos Bonecões, sempre me dava noticias de sua pesquisa sobre esses bonecões. 
Foi em um desses dias que ele comentou  que  havia descoberto que não haviam Pereirões muito antigos e ele acabara de descobrir o  porque !

 Os Bonecões mais antigos que ele havia encontrado   na nossa região eram da cidade de São Bento do Sapucay e da década de 80 (1980).  A principio estranhei esta descoberto pois esta é uma tradição bem antiga aqui no Brasil, e me perguntava o  porque  não se encontrava  nenhum dos Pereirões das decadas anteriores ?

A principio pensei que eles não existiam porque eram feitos de papel e se deterioravam com facilidade, ou porque eram muito baratos de se fazer...  Bene porem me contou que eles não existem  porque naquele tempo  era  costume no ultimo dia de carnaval  jogar os Pereirões no rio... ou seja, no ultimo dia de carnaval eles afogavam os bonecos...  Destruíam, imolavam !

 Um novo boneco devia ser feito no próximo ano.

Este relato acima se encaixa como em um querbra cabeça com o relato abaixo:

Maria Apparecida Urbano, escritora,  é antes de tudo uma carnavalesca. Uma historiadora apaixonada pelo carnaval. Em Fevereiro de  2013 fiquei  encantada com sua palestra e com o livro que ela escreveu sobre o carnaval  e foi lendo este livro que algumas peças desse quebra cabeça começaram a se juntar  e formei então esta minha teoria.

 Cida Urbano nos conta em seu livro “Carnaval e Samba em Evolução na cidade de São Paulo”, sobre a origem do rei Momo.

Transcrevo aqui  uma parte do livro onde  Cida Urbano nos fala sobre o Reio MOMO:

“O Carnaval abre espaço para a alegria explicita, que transparece nas figuras dos palhaços e do Reio MOMO.

E mais adiante :


“ A história coloca o nascimento da figura carnavalesca do Reio MOMO na mitologia grega. Momo era o deus da galhofa, do delírio , da irreverência e da pilheria e, por esse motivo, foi expulso do Olimpo, a morada sagrada dos deuses.
Por serem suas brincadeiras por demais inconvenientes e zombeteiras, perdeu a função de servidor de Zeus. Desterrado da morada sagrada, foi mandado para a terra, onde continuaria a fazer as suas “reinações”. Por ocasião das festas romanas – saturnais – o mais belo jovem soldado, ao ser coroado Reio Momo, recebia um tratamento privilegiado : comer, beber e divertir-se até a exaustão... Porém, ao acabarem as festa o “alegre” monarca era levado ao altar de Saturno e ali sacrificado” (3)


Enfim, juntando o que Benê descobriu na cidade de “Monteiro Lobato” onde eles afogavam os bonecões no ultimo dia de carnaval com a história do Rei Momo na festa romana – saturnais- podemos dizer que os nossos Pereirões antigos eram e são a representação ancestral do Rei Momo, sendo assassinado no ultimo dia de Carnaval.


Será que nossos Pereirões são a representação do Rei MOMO? Será que era por esse motivo que eles afogavam os Pereirões no ultimo dia de carnaval?
O que você acha ? Me dê sua opinião !


  



(3) Carnaval e Samba em Evolução na cidade de São Paulo - pag 53



terça-feira, 26 de novembro de 2013

Os Doze dias do Natal


Entre o Natal e a Epifania são 12 dias.
São 12 os meses do ano.
12 Signos do Zodiaco.
2 ciclos de 12 horas em um dia.
12 trabalhos de Hercules.
As 12 Musas.
Os 12 apóstolos.
As 12 tribos de Israel.
Os 12 dias de Natal.
Depois do 12 vem o numero 13... e segundo alguns ele traz azar.
Em alguns países, nos prédios que constroem não existe o 130 andar.
Em alguns países o Natal começa no dia de Santa Luzia (13 de dezembro) e termina em 25 de dezembro:12 dias !

Em outros paises ele começa no dia 25 de dezembro e termina em 6 de janeiro... 12 dias !

terça-feira, 5 de novembro de 2013

PERSONAGENS DO SANATORIO VICENTINHA ARANHA - INES E TONINHO

Em Portugal eles se recordam da história de "Inês de Castro" uma dama da corte portuguesa que teve uma morte trágica. Ela era amante do filho do rei e temendo que um dia ela subisse ao trono os conselheiros do rei a mataram.
Contam que quando o príncipe virou rei, num gesto de vingança ele mandou que a desenterrassem e a coroou rainha. Esta vingança de nada adiantou para Inês... E vem daí a expressão:
“Agora é tarde... a Inês é morta”.

História dramática de um amor que perdura mesmo depois da morte.

Ná aqui em São José dos Campos também temos nossa Inês e sua história também é trágica, porém é as avessas da de Portugal; é na verdade uma história de abandono!
A história é narrada em um livro(1) que ganhei e conta sobre o abandono dos tuberculosos que nos primeiros 50 anos do século XX viveram e morreram em São José dos Campos. Naquela época a cidade era um local que acolhia os doentes desta doença.

Ela devia ser jovem, pois o relato não fala de filhos.
Inês vem para São José dos Campos acompanhando marido que estava tuberculoso. Embora sem nenhum sintoma da doença ela ignora os protestos do Dr. Nelson D Ávila e resolve dividir o quarto com o marido tuberculoso.
Eu fico imaginando os cuidados que ela deve ter tido com o esposo nesse período.
Depois de certo tempo Inês acaba contraindo a doença e seu esposo se cura, porem ele não repete o gesto da abnegada esposa.
Ele inventa uma desculpa e vai embora de São José dos Campos.
Nunca mais voltou.
Inês depois de algum tempo morre, na ala das moças pobres, pois além de abandona-la na cidade o marido não mais pagou sua estadia no hospital!

Muitas histórias de abandono aconteceram  nesse sanatório.
A tuberculose era naquela época uma doença que isolava a pessoa do convívio com a sociedade. Todos se afastavam dela com medo do contágio e isso incluía a própria família.
Essas pessoas vinham para São José dos Campos sem saber se voltariam ou não para suas casas. O clima de São José dos Campos aliado a uma boa alimentação e alguns procedimentos especificos eram a esperança desses doentes. O pai de uma paciente do sanatório escreveu um livro no qual chamava a cidade de “Ilha da Esperança”. Era só o que eles tinham...

 O livro conta também a história de “Toninho”. Um rapaz que foi trazido para se tratar em São José dos Campos pelo pai de uma moça que também estava em tratamento da tuberculosa.
Os pais de Toninho nunca vieram visita-lo. Quem cuidou dele foi a dona da pensão onde ele estava hospedado. Esta era uma situação normal da época. Algumas donas dessas pensões cuidavam dos doentes como se fossem suas mães!  
Toninho não melhora e um dia, quando fica muito mal a dona da pensão liga para o pai do rapaz para avisar do grave estado do filho. O pai somente pede para que ela olhe pelo filho...
Na mesma noite Toninho sucumbe a doença. Novamente a dona da pensão liga para o pai de Toninho avisando que o filho morreu e pergunta se o pai quer vir buscar o corpo para enterra-lo...
Toninho está sepultado em São José dos Campos... Seu pai não veio busca-lo, não veio ver o filho...

Sempre que ando no Parque penso em todos aqueles que sofreram naquele local, mas a partir dessa história dois personagens agora tem um nome... Toninho e Inês!


(1)  -  São José dos Campos – História e Cidade-  Coordenação Geral da Serie por Maria Aparecida Papali e Valéria Zanetti)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Como os homens Descobriram as Frutas ou a Expulsão do Paraiso Tupiniquim

Navegando pela internet encontrei esta preciosidade:



Houve um tempo que os homens não sabiam da existência das frutas. Também não sabiam da existência da mandioca, batata e milho. Alimentavam-se de carne e capim como viam fazer os bichos.

Mas, todas às vezes que o vento soprava em certa direção vinha um aroma delicioso, entendiam que tal perfume só podia vir de coisa saborosa.

No entanto qual fosse essa coisa,ninguém sabia!  
                             
Um dia um caçador capturou um Guabiru, estava próximo de matar o animal quanto veio aquele aroma,o rato percebeu o interesse do homem e atiçou-o:   

— Se você me soltar te levo ao lugar de onde vem este cheiro.                    

Passaram por caminhos desconhecidos e quando chegaram naquele lugar, o pequeno animal disse:        
                                                                            
— Este é o lugar. 
                                                                           
O rato explicou que tinha um roedor que fez seu ninho e não deixava ninguém comer as frutas, preferia perder as frutas do que deixar que os outros as comessem.   
                                                                           
O índio deixou o rato ir embora e o homem voltou para a aldeia. Quando o caçador contou aos familiares que tinha um roedor que fez um ninho no meio das árvores e não deixava ninguém comer as frutas, os índios zangaram-se tanto que decidiram derrubar a árvore. E derrubaram.

O curupira cuidador das plantas viu o que os homens fizeram e disse:

— Todos procederam mal! De agora em diante terão que trabalhar duramente para obter boas coisas.
Antes de ir deitou algumas sementes e foi.

No dia seguinte, os índios encontraram um monte de árvores frutíferas carregadas de frutas. Aprenderam que para obter várias coisas é preciso cuidar delas.

Lenda reescrita por Bernardo Melo e Eduardo Villares