segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Como os homens Descobriram as Frutas ou a Expulsão do Paraiso Tupiniquim

Navegando pela internet encontrei esta preciosidade:



Houve um tempo que os homens não sabiam da existência das frutas. Também não sabiam da existência da mandioca, batata e milho. Alimentavam-se de carne e capim como viam fazer os bichos.

Mas, todas às vezes que o vento soprava em certa direção vinha um aroma delicioso, entendiam que tal perfume só podia vir de coisa saborosa.

No entanto qual fosse essa coisa,ninguém sabia!  
                             
Um dia um caçador capturou um Guabiru, estava próximo de matar o animal quanto veio aquele aroma,o rato percebeu o interesse do homem e atiçou-o:   

— Se você me soltar te levo ao lugar de onde vem este cheiro.                    

Passaram por caminhos desconhecidos e quando chegaram naquele lugar, o pequeno animal disse:        
                                                                            
— Este é o lugar. 
                                                                           
O rato explicou que tinha um roedor que fez seu ninho e não deixava ninguém comer as frutas, preferia perder as frutas do que deixar que os outros as comessem.   
                                                                           
O índio deixou o rato ir embora e o homem voltou para a aldeia. Quando o caçador contou aos familiares que tinha um roedor que fez um ninho no meio das árvores e não deixava ninguém comer as frutas, os índios zangaram-se tanto que decidiram derrubar a árvore. E derrubaram.

O curupira cuidador das plantas viu o que os homens fizeram e disse:

— Todos procederam mal! De agora em diante terão que trabalhar duramente para obter boas coisas.
Antes de ir deitou algumas sementes e foi.

No dia seguinte, os índios encontraram um monte de árvores frutíferas carregadas de frutas. Aprenderam que para obter várias coisas é preciso cuidar delas.

Lenda reescrita por Bernardo Melo e Eduardo Villares

domingo, 22 de setembro de 2013

Gruta de Nossa Senhora de Lourdes




 Ela ainda está lá... discreta mas firme.
Ouvi uma conversa que queriam demolir  porem desistiram, afinal ela faz parte da história religiosa do Brasil.
Quantos romeiros e caminhoneiros por ali pararam a caminho da cidade de Aparecida !


Na década de 60 era uma parada inevitável o “Posto da Gruta”. Romeiros e caminhoneiros que faziam o sentido São Paulo – Aparecida  sempre paravam no “ Posto do Parente” para tomar agua e visitar a “Gruta de Nossa Senhora de Lourdes”.  No caminho procuravam também pelos famosos biscoitos “Jacarey”.

Esta gruta me faz lembrar meu pai, imigrante italiano que assim que chegou no Brasil foi ser motorista de caminhão. Lembro que na volta de algumas viagens ele nos trazia uma lata dos biscoitos “Flor de Jacarehy”. Não era um biscoito que eu gostava muito, mas o tempo e a saudade fazem os biscoitos terem outro sabor.


A gruta está localizada à beira da via Dutra no  km 157  perto do “Bairro Jardim das Industrias” em  São José dos Campos. Agora é conhecida como: GRUTA – LANCHONETE CHURRASCARIA



A devoção no local começou a partir da década de 1950.
A Gruta foi construída pela família “Parente” que moravam  em Jacareí.

Na gruta está afixada uma placa com o nome do escultor : “Teixeira Machado”. 

sábado, 31 de agosto de 2013

SALMO 23 - VERSAO CAIPIRA


" O Sinhô é meu pastô e nada há de me fartá!
Ele me faiz caminá pelos verde capinzá.
Ele tamém me leva pros corgos de água carma.
Inda que eu tenha qui andá nos buraco assombrados, lá pelas encruzinhada do capeta;
não careço tê medo di nada, a  modo di quê,Ele é mais forte que o "coisa ruim".
Ele sempre nos aprepara uma boa bóías na frente di tudo quanto é inimigo.
E é assim que um dia quando a gente tivé mais pra lá do qui prá cá, nóis vai morá no rancho do sinhô pra inté nunca mais se acabá. Ameim!

 PARA COMPARAR AQUI VAI O ORIGINAL

SALMO 23

" O Senhor é meu pastor, nada me faltará.
Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva me para junto das águas de descanso, refrigera  minha alma. Guia me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo, o teu bordão e o teu cajado me consolam.
Preparas-me uma mesa na presença dos meus inimigos, unges me a cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida e habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre. Amem!


Avô Escravo


" O meu vô era escravo.
Minha avó criou meu vô e se casou com ele...
Na senzala era assim: ficavam todos os pretos no mesmo lugar e ai para eles não passarem frio eles faziam uma fogueira no centro e domia um assim abraçado com outro"
Dava dó do meu vô!
Meu vô sempre contava." 



Mestre Paizinho : Basta Cantar com o Coração

 
Ele é o Mestre  da “Companhia de Moçambique Unidos a São Benedito do Parque Bandeirantes de Taubaté”. Tradição herdada do avô há 65 anos e que era descendente de escravos. Durante a entrevista ele conquistou a todos com seu jeito simples e carismático e nos relatou os conselhos que recebeu de seu pai:

“ Filho, esteja você onde estiver, nunca deixe a vaidade ou a ambição falar acima daquilo que você não é, porque se você deixar isso acontecer então todo aquele ensinamento, a sua identidade, você vai estar jogando “pros lixos”. Então seja você mesmo, tanto numa escola rica ou numa escola simples.”

Num determinado ano o pai lhe disse que ele seria o Mestre da Companhia de Moçambique.

Mestre Paizinho disse ao pai que não daria certo ele cantar como Mestre porque iria ficar nervoso e “gaguejar”. O pai lhe respondeu: 

“Filho, basta cantar com o coração.” 

E então ele  nunca mais parou de cantar como Mestre.

(colhido por Doris)



UM POUCO DO CORPO SECO E DE MARIA PEREGRINA

Estavamos no cemitério Maria Peregrina no dia de Corphus Christi e uma senhora me contou :

- Minha mãe trabalhava na lavanderia do Vicentina Aranha

- Eu me lembro das Festas no Vicentina Aranha. Lembro das Festas de Corpus Christi. As freiras diziam: quanto mais gente melhor para trabalhar. Aumenta a produtividade para se fazer os tapetes da produção.

- A gente usava cedrinho, era linda a procissão!

- do Padre Rodolfo a gente sabe que ele andava na chuva e não se molhava. Ele veio se tratar de tuberculose em São José dos Campos. Era um Padre Santo mesmo e muitos alcançaram graças com ele. O Seu João Porto conviveu com ele.

- Meu pai ajudava o Dr. Estrepe a fazer autopsia nessa capela (Cemitério de Santana). Naquela época não tinha geladeira, então o corpo tinha bicho, mosca e aquele mau cheiro terrível!  Eles tinham de beber pinga para poder suportar o cheiro.

- Um dia ele estava exumando o corpo de um cadáver junto com seu companheiro que se chamava “Ceguinho”, (porque tinha os olhos meio fechado), foram desenterrar um defunto. Dizia que o corpo estava todinho seco e aí o amigo dele tirou o canivete e foi cortar e não conseguia... E o canivete rangia... Quuiiii quuiii quuiiii e não conseguia cortar.

- O corpo seco era devido à pessoa tomar remédio... O Corpo seco fica pelo mundo.
Meu pai se chamava “s. c. s.”. Ele dizia que tinha coragem de carregar o Corpo Seco nas costas...

- A Maria Peregrina eu conheci.
Minha tia morava ali perto onde ela residia debaixo de uma arvore que ela morava e ela tinha um saco dela com as coisas dela, a roupa tudo!  A gente criança tinha medo dela, sabe por quê? As crianças perseguiam ela, jogavam pedrada nela, né? Ela ficava brava com eles! Então a gente tinha medo de fazer alguma coisa na gente.
As pessoas ajudavam ela, davam alimento.
As crianças... Umas tinham medo, outras jogavam pedra nela. Os meninos principalmente.
Ela não mexia com ninguém, sabe...
As pessoas falavam para ela... De dar lugar para ela ficar. Ela dizia que tinha de morar debaixo de uma arvore para pagar a promessa pra mãe dela se salvar.
Porque a mãe dela fez não sei o que lá...
Ela dizia: Eu tive essa sina de pagar os pecados da minha mãe para ela não ir para o inferno.
As pessoas queriam acolher ela, dar um cantinho... Mas ela não queria!

É uma reviravolta...  Você se vê adulta, vem no cemitério com os filhos e vê o tumulo dela sendo estudado por jovens...