sábado, 1 de março de 2014

Um Simbolo para São José dos Campos


Sou péssima em desenho mas há tempos venho pensando que esses elementos seriam um belo simbolo para a cidade de São José dos Campos. O que achas ?

COLONIA JAPONESA E TORI




Quem conhece São José dos Campos sabe que a Colônia Japonesa na região é muito expressiva.

Seus descendentes estão espalhados por toda a cidade: no Jardim Maringá, no Jardim Oriente, Oriental, Morumbi, Parque Industrial, Vale do Sol etc... 

 Estão plenamente integrados na cidade!

Porem poucos sabem que o Sr. Esaku Ihara foi o primeiro imigrante japonês a se estabelecer em São José dos Campos.
Ele chegou no dia 22 de abril de 1922 acompanhado de sua esposa, um filho e oito jovens solteiros, comprou uma gleba de terra no bairro "Varadouro".
Seu nome esta registrado no livro: “Banzai Brasil em nome da Amizade”.

A partir de 1930 foram chegando mais patrícios.

A partir de 1951 o Sr. Torataro Takitani e seu sócio o Sr. Salvador Lahoz começaram a lotear algumas terras que possuíam com o nome de Jardim Paraiso e Jardim Oriente. Instalou-se nesses locais granjas de aves, plantação de rosas e poncã.
Dizem que muitos desses lotes chegaram a ser vendidos no Japão e que muitos desses compradores vieram posteriormente morar em São José dos Campos.

Essa comunidade esta ligada a historia da “ Fabrica da Kanebo do Brasil” que foi instalada em abril de 1957 e funcionou até 2 de abril de 2009. A Fábrica Kanebo construiu uma escola para os nisseis que também era frequentada pelos filhos dos bairros vizinhos.


Em 28 de junho de 2008, em comemoração ao centenário da imigração japonesa no Brasil, foi inaugurado no Bairro Aquarius o “Espaço Engenheiro Riugi Kojima” em homenagem ao ex-vice-prefeito.  










Nessa praça um típico portal japonês (Torii) foi erguido, um pequeno lago, um santuário, além de um jardim nipo-brasileiro que reúne num mesmo espaço, plantas orientais e ocidentais, representando a união entre o Brasil e o Japão.










O Torii é um portal e para os xintoistas representa uma passagem para o mundo espiritual. Geralmente é construído em madeira de lei porém em São José dos Campos foi confeccionado em aço para simbolizar o alto desenvolvimento tecnológico de São José dos Campos.
Um Torii assinala a entrada ou proximidade de um santuário.












Consagração do santuário xintoísta.












No Centro o arquiteto responsavel pela construção do Torii e a paisagista, responsavel pelo jardim.










Apresentação do "Taiko", tambores japoneses na inauguração da Praça.







Segundo me informaram sua manutenção e limpeza é feita pela Colônia Nipônica.


Tornou se uma agradável opção de lazer além de um dos cartões postais da cidade.


(Bibliografia: A Paróquia do Parque Industrial - Pe. José Franacisco Schmitt,scj)


SAN E AS ROSAS - Uma Japonesa no Brasil



Moro em São José dos Campos há muitos anos. Desde que me lembro ela sempre está no mesmo local com sua loja de flores. Sempre tem muitas mudas: de arvores, ervas, flores, arbustos de todas as espécies. Tudo amontoado de uma forma que chega a dificultar a escolha de qual muda levar. Todas as vezes  ela sempre me presenteia com algumas rosas. Sempre muito coloridas. Já estou acostumada com esse seu costume e até então achava que minha compra valia o “brinde” que ela me dava ou quem sabe era uma forma de se desfazer de rosas que ela não conseguia vender.

Fazia um bocado de tempo que não parava em sua loja porem hoje resolvi comprar umas mudas de arruda e parei na sua loja.
Lá estava ela. Sempre muito atarefada, japonesa, vestindo uma calça preta ajustada no corpo, a sapatilha preta e uma blusa em forma de túnica. Suas mãos sempre sujas de terra, a voz baixa, ágil,  cheia de pausas e pontos de interrogações, pois ela ainda não consegue falar o português correto. Ainda tem muito sotaque japonês.
Perguntei então se tudo estava bem com ela:

- E ai Sam, tudo bem?

- É tudo bem, vou indo. Muito trabalho. Se tem trabalho tá bom né ? Bom, ter saúde. Com saúde a gente pode comer o que quer. Ruim, né? Ficar doente e não poder comer o que quer...

Perguntei a Sam há quanto tempo ela estava no Brasil. Foi então que ela me contou que está no Brasil há mais de 50 anos, quando chegou tinha 20 anos.

- Comi arroz pela primeira vez no Brasil! No Japão ? Ahhhh !!  Não tinha comida. Brasil tem carne! Brasil é mais alegre. No Japão ficava catando as coisas do chão, né ? Por isso que eu presenteia todo mundo com rosas!É para agradecer ao Brasil !

Me emocionei com seu gesto e sai de sua loja carregando aquelas rosas coloridas como uma espécie de benção. Agora eu conseguia entender todo o significado que aquelas lindas rosas carregavam!


obs : Depois que eu já havia postado este texto fui colocar as rosas no vaso. Foi então que percebi que havia ainda mais um detalhe nas rosas...  Quando presenteam eles consideram que presentes em pares são considerados boa sorte, enquanto quatro ou qualquer número par de algo é considerado como azar. As rosas que recebi eram em numero de cinco sendo tres vermelhas, uma amarela e uma branca... mais uma de licadeza da San.

Padre Rodolfo Komorek e a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes



Ele nasceu no dia 11 de outubro de 1890, em Bielsko, na Polônia, e chegou ao Brasil em 1924, enviado para atender espiritualmente os colonospoloneses de Dom FEliciano no Rio Grande do Sul estando tambem em Niterói, RJ e como vigário cooperador em Luiz Alves (SC). Em Lavrinhas no Vale do Paraiba começou a sentir os primeiros sintomas de doença pulmonar e então veio morar em São José dos Campos para tratar de sua doença. Era o inicio da década de 40. Mesmo doente dedicou se a atender os doentes nos hospitais, asilos e pensões hospitalares da cidade que na época era uma estancia climática para tratamento da tuberculose. Morreu em 11 de dezembro de 1949. Há registros de muitas graças alcançadas por sua intercessão.


"Padre Rodolfo Komorek era muito conhecido por sua piedade, solidariedade para com os pobres e doentes, e também, por realizar milagres diversos. 



Dentre os acontecimentos sobrenaturais, um fato em especial aconteceu após sua morte chamando atenção dos cidadãos desta cidade.


O venerável padre sempre ajoelhava-se diante da imagem de Nossa Senhora de Lourdes, posta dentro de uma gruta artificial no interior do Sanatório Vicentina Aranha. Ali, ele passava alguns minutos em oração.

No dia de sua morte, seu corpo foi levado em cortejo acompanhado por muitas pessoas. Quando o caixão chegou em frente à gruta de Nossa de Senhora Lourdes, ficou extremamente pesado. Os homens que o seguravam não suportaram o peso, deixando o caixão cair no chão.

Muitos tentaram levantá-lo, mas sem sucesso. O caixão permaneceu no chão exatamente o tempo que o Pe. Rodolfo dedicava a oração naquele mesmo local.

Aos poucos o caixão ficou mais leve, e o cortejo continuou."(1)









ORAÇÃO PARA PEDIR A DEUS A GLORIFICAÇÃO DO VENERÁVEL PADRE RODOLFO KOMÓREK

Ó Jesus, no Venerável Padre Rodolfo nos destes um comovente exemplo de amor aos pobres e aos doentes, de paciente dedicação ao ministério das Confissões. Sua vida de caridade e penitência constitui um contínuo apelo ao seguimento do Evangelho. Concedei-nos, por sua intercessão, a graça que vos pedimos (pedir a graça desejada), e a sua glorificação entre os santos da vossa Igreja, que ele honrou com uma vida de grandes virtudes. Amém.
Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória
Venerável Padre Rodolfo, rogai por nós.
(Com aprovação eclesiástica)

PARQUE VICENTINA ARANHA - O ENGENHEIRO E A VELHINHA

O Parque Vicentina Aranha foi um antigo sanatório para tuberculosos aqui da nossa região. Local marcado por muitas histórias de abandono e sofrimento... 

Hoje em processo de restauro o local é um dos pontos preferidos para uma boa caminhada, um pouco de exercico e relax do dia a dia da cidade. O local está repleto de histórias e lendas do passado... 


Essa historia me foi contada há pouco tempo e aconteceu em meados de 2012.
Maria me contou jura que é verdade!
Ela gosta de malhar e para lhe orientar nos exercicios fisicos ela contratou como personal trainer; o João.
Três vezes por semana João e Maria costumam fazer os exercícios no Parque Vicentina Aranha.
Aquele deveria ser só mais um dia de exercício fisico. Já estavam quase em frente ao portão que dá acesso ao Parque quando viram um "jovem senhor" mais ou menos com seus 50 anos,  correndo á sua frente.

Em direção contrária a eles, vinha caminhando, uma senhorinha baixinha, velhinha e grisalha que ao passar ao lado do “senhor cinquentão” o agarrou pelo braço e lhe disse em voz alta e firme:

-  Moço ! Não entra ali hoje não que hoje não é seu dia !

O senhor em questão diminui o passo, olhou de lado, não respondeu e seguiu seu caminho.

Nesse momento Maria e João passaram a frente do senhor e continuaram a correr .

Completaram a primeira volta e estavam completando a segunda volta quando perceberam um pouco adiante um tumulto: as pessoas correndo, outras com a mão na cabeça e outras agachadas no chão.

Diminuíram o passo.
Curiosos e cautelosos se aproximaram do tumulto e levaram um susto: Caído no chão, agonizando, aquele senhor que fora avisado pela velhinha para não entrar no Parque!

O resgate chegou e levou o senhor, agora já identificado como um “engenheiro da  Embraer “ para o Pronto Socorro !

Maria e João assustados, tentaram localizar a tal “velhinha”.  Procuraram pelos porteiros do Parque e perguntaram se eles a conheciam ou haviam visto o ocorrido... Eles disseram que não haviam visto nada! Ninguém havia visto a tal velhinha... somente eles dois.

O Senhor, Engenheiro da Embraer não resistiu ao infarto e faleceu no hospital.


Por isso lhe aviso... tenha muito cuidado ao entrar no Parque... Se a velhinha aparecer para você e lhe avisar... obedeça... NÃO ENTRE !



Colhido por : Dóris - março 2013

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Os Maias e os Maios e a Festa da Santa Cruz


Na minha busca pela origem da Festa da Santa Cruz no Brasil encontrei este texto. Eu não poderia descrever melhor e por este motivo coloco aqui na integra o texto colhido em :



"Ernesto Veiga de Oliveira descreve com rigor esse costume do povo português que tem algumas nuances regionais.

Segundo ele, o 1º de Maio é o Dia das Maias e comemora-se em Portugal, de um modo geral, pela oposição das «Maias», ou seja, de giestas ou flores, sob diversas formas, em portas e janelas e noutros locais. Ao contrário de outras regiões, em Trás-os-Montes surge ao lado de outras práticas, que são independentes mas de significações convergentes.

Na faixa ocidental atlântica do País, não existe qualquer prática alimentar associada. Mas em Trás-os-Montes e nas Beiras as «Maias» estão associadas às castanhas, que muita gente guarda de propósito para esta data. Segundo Jorge Lage, no 1º de Maio devem-se comer castanhas. Caso contrário, ao passar-se por um burro, este atira-se à pessoa e morde-a Diz o ditado «quem não come castanhas no 1º de Maio, monta-o o burro». Isto porque Maio é o mês dos burros, como afirma o povo. O uso de comer castanhas secas em Maio, terá a ver com a tradição muito antiga de no 1º dia o chefe de família ir à fonte e esconjurar ou afastar com favas pretas os espíritos (o «Maio») da sua família. Daí a expressão «Vai à feira e traz-me as maias (as castanhas piladas)».

De um modo geral, o cenário das várias celebrações cíclicas compreende cerimónias de véspera. A colocação de giestas faz-se no dia 30 de Abril para que as casas estejam floridas no momento em que começa o dia, para o «Maio», o «Carrapato» ou o «Burro» não entrarem. O «Maio» ou o «Burro» são entidades nocivas, cujo malefício se pretende conjurar com ma oposição de flores ou a manducação de certas espécies.

Em Trás-os-Montes, além de se enfeitarem as portas das casas com flores de giestas, as raparigas adornam um menino que dizem repre­sentar o “Maio-Moço” e passeiam-no pelas ruas com grande ruído alegre, cantando e bailando em volta dele.

A origem da tradição das Maias perde-se no tempo e pode ter várias explicações. Segundo alguns, a Maia era uma boneca de palha de centeio, em torno do qual havia danças toda a noite do primeiro dia de Maio. Por vezes, podia ser também uma menina de vestido branco coroada com flores, sentada num trono florido e venerada, todo o dia, com danças e cantares. Esta festa, de reminiscências pagãs, foi proibida várias vezes, como aconteceu em Lisboa no ano de 1402, por Carta Régia de 14 de Agosto, onde se determinava aos Juízes e à Câmara "que impusessem as maiores penalidades a quem cantasse Maias ou Janeiras e outras coisas contra a lei de Deus...". Ainda segundo outros, o nome do mês de Maio terá tido origem em Maia, mãe de Mercúrio, e a ele está ligado o costume de enfeitar as janelas com flores amarelas.

Seja como for, todos estes rituais pagãos estavam ligados ao rito da fertilidade para com o novo ciclo da natureza, à celebração da Primavera ou ao início de um novo ano agrícola. Mais tarde, houve necessidade de lhe incutir algum sentido religioso, promovendo a sua ligação à Festa da Santa Cruz ou ao Corpo de Deus. Esse facto pode justificar a lenda do Alto Minho, segundo a qual Herodes soube que a Sagrada Família, na sua fuga para o Egipto, pernoitaria numa certa aldeia. Para garantir que conseguiria eliminar o Menino Jesus, Herodes dispunha-se a mandar matar todas as crianças. Perante a possibilidade de um tão significativo morticínio, foi informado, por um outro "Judas", que tal poderia ser evitado, bastando para isso, que ele próprio colocasse um ramo de giesta florida na casa onde se encontrava a Sagrada Família, constituindo um sinal para que os soldados a procurassem e consumassem o crime... A proposta do "Judas" foi aceite e Herodes tratou de mandar os seus soldados à procura da tal casa. Qual não foi o espanto dos soldados quando, na manhã seguinte, encontraram todas as casas da aldeia com ramos de giesta florida à porta, gorando-se, assim, a possibilidade do Menino Jesus, ser morto.

Talvez resultado desta lenda, hoje em dia ainda é possível observar em algumas zonas do nosso país, a colocação de ramos de giestas em flor, ou até mesmo coroas feitas de ramos de giestas, conjuntamente com outras flores e enfeites coloridos, nas portas e janelas das casas ou nos automóveis, na noite de 30 de Abril para 1 de Maio.

Nos variados aspectos, por vezes tão distintos, das celebrações do 1º de Maio, ter-se-ia pois operado um sincretismo de práticas e crenças, talvez de origens diferentes mas todas convergentes, recobrindo a obscura ideia, que subsiste no espírito do Homem, da necessidade de desencadear formas efectivas de protecção e de esconjuro a opor à insegurança da vida e à omnipresente ameaça do mal."



obs : A giesta é um arbusto usado tanto para decoração como para fazer cordas. outra caracteristica interessante é que é um arbusto usado pra restaurar a fertilidade de terrenos onde os cereais são cultivados. Segundo a crença em Portugal a giesta tem a propriedade de "afastar o diabo e o mau olhado das casas", e afastar os carrapatos. Tambem conhecida como "maia" ou vassoura de bruxa.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Rei Momo e Pereirões



(Dóris Bonini)


Depois de tantas festas lá estou eu, voltando ao Piraquara !

O pessoal já esta  se preparando para botar o bloco na rua: O Pirô-Piraquara

Este é o meu terceiro ano, mas o Pirô já sai há  27anos !

Vendo aquele “recomeço de agitação”   lembrei da  teoria que desenvolvi  e que volta e meia “ martela” nos meus pensamentos e me faz pensar, ou  melhor dizendo,  me faz ter a certeza da verdadeira “origem dos bonecões”.

Sei que existem inúmeras histórias, lendas, versões para o aparecimento desses enorme bonecos feitos de papel, vime, jornal, massa etc...
Existem relatos dos “cabeçudos”,  “gigantones” em Portugal assim como em toda a Europa e nos EUA. Em Portugal  consegue-se  localiza los  no século XIII ,  aqui no Brasil os mais famosos são os de Olinda.

Eu me lembro desde pequena da figura constante do Reio Momo nos carnavais. Pode se dizer  com certeza que onde tem carnaval no Brasil também tem Rei Momo e sua eleição é acompanhada com muito interesse.
Alguns atributos são indispensáveis  num verdadeiro Rei Momo tais como ser grandalhão, obeso, alegre, animadíssimo e apaixonado por carnaval.


Tenho para mim que nada se cria, tudo se transforma e nós ainda somos os mesmos.  As nossas  manifestações ainda são as mesmas de milênios atrás. Lógico que elas vestiram uma roupagem diferente,  mas representam e nos fazem ter o mesmo sentimento daqueles seres que viviam no passado longínquo...  

É nossa mente ancestral... repaginada!

Alguem disse que :

"... é possível perceber que as emoções associadas a uma atividade frequente e aparentemente simples evidenciam um complexo entrelaçamento entre aspectos biológicos e culturais"(1)
É a deusa Mnemósine, personificação da "Memória" , irmã de Cronos e Ocean. Omnisciente ela sabe " tudo aquilo que foi, tudo aquilo que é, tudo aquilo que será." Quando possuído pelas Musas, o poeta inspira-se diretamente na ciência de Mnemósine, isto é, no seu conhecimento das "origens", dos "primórdios", das genealogias. " "Com efeito, as Musas cantam  o aparecimento do mundo, a génese dos deuses, o nascimento da humanidade. O passado assim desvendado é mais que o antecedente do presente: é a sua fonte. Recuando até ele, a rememoração procura, não situar os acontecimentos num quadro temporal, mas atingir o fundo do ser, descobrir o original, a realidade primordial de onde proveio e que permite compreender o devir no seu conjunto." (2)

Enfim tudo o que foi escrito acima é para preparar vocês para dizer que a minha teoria e a de que os Pereirões, Gigantões  etc... se originam das festividades do  "Reio Momo". Não desse Rei MOMO atual, afinal ele também é originário desse "Momo ancestral" a que me refiro. Enfim eles representam a mesma coisa! Os Pereirões são os Reis Momo do carnaval, que vieram de costumes ancenstrais.

Aqui vão as minhas explicações: A ligação dos Pereirões com o Rei Momo.
No ano retrasado quando eu fazia pesquisa de campo sobre o carnaval de SJC e arredores o Benê , um Mestre na arte dos Bonecões, sempre me dava noticias de sua pesquisa sobre esses bonecões. 
Foi em um desses dias que ele comentou  que  havia descoberto que não haviam Pereirões muito antigos e ele acabara de descobrir o  porque !

 Os Bonecões mais antigos que ele havia encontrado   na nossa região eram da cidade de São Bento do Sapucay e da década de 80 (1980).  A principio estranhei esta descoberto pois esta é uma tradição bem antiga aqui no Brasil, e me perguntava o  porque  não se encontrava  nenhum dos Pereirões das decadas anteriores ?

A principio pensei que eles não existiam porque eram feitos de papel e se deterioravam com facilidade, ou porque eram muito baratos de se fazer...  Bene porem me contou que eles não existem  porque naquele tempo  era  costume no ultimo dia de carnaval  jogar os Pereirões no rio... ou seja, no ultimo dia de carnaval eles afogavam os bonecos...  Destruíam, imolavam !

 Um novo boneco devia ser feito no próximo ano.

Este relato acima se encaixa como em um querbra cabeça com o relato abaixo:

Maria Apparecida Urbano, escritora,  é antes de tudo uma carnavalesca. Uma historiadora apaixonada pelo carnaval. Em Fevereiro de  2013 fiquei  encantada com sua palestra e com o livro que ela escreveu sobre o carnaval  e foi lendo este livro que algumas peças desse quebra cabeça começaram a se juntar  e formei então esta minha teoria.

 Cida Urbano nos conta em seu livro “Carnaval e Samba em Evolução na cidade de São Paulo”, sobre a origem do rei Momo.

Transcrevo aqui  uma parte do livro onde  Cida Urbano nos fala sobre o Reio MOMO:

“O Carnaval abre espaço para a alegria explicita, que transparece nas figuras dos palhaços e do Reio MOMO.

E mais adiante :


“ A história coloca o nascimento da figura carnavalesca do Reio MOMO na mitologia grega. Momo era o deus da galhofa, do delírio , da irreverência e da pilheria e, por esse motivo, foi expulso do Olimpo, a morada sagrada dos deuses.
Por serem suas brincadeiras por demais inconvenientes e zombeteiras, perdeu a função de servidor de Zeus. Desterrado da morada sagrada, foi mandado para a terra, onde continuaria a fazer as suas “reinações”. Por ocasião das festas romanas – saturnais – o mais belo jovem soldado, ao ser coroado Reio Momo, recebia um tratamento privilegiado : comer, beber e divertir-se até a exaustão... Porém, ao acabarem as festa o “alegre” monarca era levado ao altar de Saturno e ali sacrificado” (3)


Enfim, juntando o que Benê descobriu na cidade de “Monteiro Lobato” onde eles afogavam os bonecões no ultimo dia de carnaval com a história do Rei Momo na festa romana – saturnais- podemos dizer que os nossos Pereirões antigos eram e são a representação ancestral do Rei Momo, sendo assassinado no ultimo dia de Carnaval.


Será que nossos Pereirões são a representação do Rei MOMO? Será que era por esse motivo que eles afogavam os Pereirões no ultimo dia de carnaval?
O que você acha ? Me dê sua opinião !


  



(3) Carnaval e Samba em Evolução na cidade de São Paulo - pag 53