segunda-feira, 30 de junho de 2014

A Fada do Dente Existe ! (ou... Como uma lenda virou realidade)



Quando eu era criança  a “Fada do Dente” ainda não existia, eu nunca soube ou minha mãe não me contou.

Lembro – me somente que era costume guardar um dente e “encastoa-lo com ouro”

Somente quando tive filhos é que comecei a ouvir de outras mães esta história e acabei por incorpora-la a perda da primeira dentição dos meus filhos.

A lenda conta que quando uma criança perde um dente ela  deve coloca-lo debaixo do travesseiro. Pela manha a criança encontrará um presente ou certa quantia em dinheiro.

A “generosidade” da fada vai depender da bondade ou situação financeira dos pais.

Existe uma outra versão que acredito ser mais antiga que é a de se jogar o dente em cima do telhado.

Mas porque estou escrevendo sobre isso?

Caiu em minhas mãos uma propaganda de uma empresa que coleta células tronco para futuro tratamento de doenças degenerativas...
É o avanço genético chegando para salvar muitas vidas ! Essa empresa usou a lenda para divulgar o seu serviço, mostrando a importância desta coleta.

Achei de fato a propaganda muito interessante e de “grande sacada”. Afinal, como diz a propaganda esse material coletado do dente pode sim no futuro salvar a vida da criança!

É um caso onde uma lenda se transformou em realidade, mas pode ser mais que isso e esse é um caso a se pensar...

Há tempos li em um local (não me lembro onde) a seguinte frase que desde então me acompanha:

“A ciência escala montanhas e quando por fim chega ao topo ela encontra a espiritualidade que estava sentada lá há séculos... esperando por ela”.

Isso também acontece com vários casos da “sabedoria popular”.

Eu já vi vários casos e provavelmente você também !

O que você acha?

Continuando minha pesquisa fui descobrir a verdadeira lenda que é um pouco sinistra... mas isso é uma outra historia !








domingo, 29 de junho de 2014

Minha Gente sou Chaveiro Nunca fui Casamenteiro - Salve São Pedro



O Pessoal conta que de fato aconteceu!

Foi em São Paulo na década de 60.

A rua Augusta havia se tornado um famoso ponto de encontro de jovens barulhentos e contestadores.

Foi um rebuliço no céu para decidir quem iria descer para verificar a situação e finalmente escolheram “São Pedro” para tal missão.

Ele teria que ficar na rua e nos arredores dela fazendo uma pesquisa etnográfica. Deveria analizar, conversar e viver com os jovens e de tempo em tempo devia relatar a situação para o “Todo Poderoso” ou para seu filho Jesus Cristo.

No final da primeira semana ele desnorteado ligou para o céu e suplicou :

 - Alô ! È do céu ? Coloquem o Arcanjo Rafael na linha ! É urgente !

 - Arcanjo Rafael ? Por favor, estou desesperado e preciso falar com o Mestre com urgência. Não aguento mais ficar por aqui. Essa juventude está louca. Fala uma linguagem esquisita que não entendo, tem modos estranhos, usa roupas diferentes. Preciso voltar para o céu urgente !

 E o Arcanjo Rafael respondeu :
 - Calma Pedro. O Mestre está muito ocupado. Telefone mais tarde por favor.

 Assim passou mais uma semana e no fim dela São Pedro, ainda mais desgovernado ligou para o céu novamente. A resposta foi a mesma : Que tivesse paciência, ligasse na próxima semana pois o Mestre estava ocupado com problemas seríssimos que estavam acontecendo no mundo. 

Assim passaram 3 meses... E Pedro ligando todas as semanas até que um dia o Anjo Rafael recebeu uma ligação, a cobrar, mais precisamente da Rua Augusta :

 - Oi Rafa aqui é o Pedroca. O Zuza taí ?
 (Recolhida no livro de Laura Della Monica)

DIA DE SÃO PEDRO 

 O dia de São Pedro encerra o ciclo Junino.
Hoje também se celebra o dia de São Paulo.
Os dois foram martirizados no mesmo dia mas São Pedro disse que não merecia ser crucificado como “Cristo” então os romanos o crucificaram de “cabeça para baixo” . Ele foi enterrado em uma colina da antiga Roma chamada de “Vaticanum” e é isso mesmo, o atual "Vaticano" onde mora o papa. 
 Seu tumulo se encontra sob o famoso “baldaquino de Bernini” na Basílica de São Pedro.
 São Pedro é o mais lembrado neste dia e é o protetor dos pescadores e das viúvas além de ser considerado o "porteiro do céu" e responsavel por todo excesso, ou falta de chuva que acontece por aqui.
 Procissões fluviais ainda ocorrem em muitas cidades em sua homenagem.
 Existe uma simpatia que se faz no dia de São Pedro com todos aqueles que tem o nome de “Pedro”:
 Deve-se amarrar uma fita no braço dessa pessoa e então ela é obrigada a lhe pagar alguma coisa... Uma  bebida, um doce, um agrado. 

Dizem que quanto mais alta a fogueira maior o prestigio de quem a montou
Simpatias e brincadeiras juninas a parte, as fogueiras nas festas juninas são sempre uma atração esperada. O que poucos sabem é que não se deve fazer a fogueira com alguns tipos de madeira como o cedro, a imbaúba e os ramos da videira. Não se pode fazer porque segunda lenda foi uma imbaúba que escondeu N.Sra e o Menino Jesus em sua fuga para o Egito; o cedro porque foi com ele que os romanos fizeram a cruz onde Cristo foi crucificado e a videira porque dela se produz o vinho que se transforma depois de abençoado no sangue de Cristo.


Cada santo tem seu formato de fogueira:
Quadrada para Santo Antônio,
Redonda para São João
Triangular para São Pedro.
O costume de se acender fogueiras no mês de junho veio de antigas tradições Europeias.
Antigos rituais pagãos que foram incorporados através dos anos nas celebrações das festas deste período.


Balão Galinha". Dizem que é o menos perigoso..Feito de jornal sobe somente uns 5 metros e se desfaz.

Hoje em dia já não se pode soltar balões. Eles eram  lançados aos céus levando pedaços de papel com diversos pedidos, agradecimentos e orações. Mas dá uma saudade de ver aqueles balões coloridos, iluminados, subindo até desaparecerem...


Costumam dizer que as Festas de São Pedro não são tão animadas quanto as de São João, porque neste dia as pessoas já estão muito cansadas de tantas festas. E tem um ditado que diz :


 Festa de São Pedro "que se preze" tem de ter  “pau de sebo”.

Mastro sendo carregado
O pau de sebo se originou dos tradicionais “levantamentos de mastro”.
O levantamento do mastro é uma antiga tradição difundida em toda Europa, herdada (provavelmente) da Escandinávia onde as pessoas celebravam em volta de uma árvore à fertilidade da terra.
Esse é o motivo de se enfeitar os mastros com flores, laranjas, milho etc...
Já o pau de sebo é uma divertida e às vezes perigosa brincadeira. Só os mais corajosos e cheios de destrezas são capazes de enfrenta-lo.

O Festeiro tem de ter cuidado ao fazê-lo, pois bandos de crianças e adultos tentarão escala-lo para conseguirem ganhar a prenda colocada lá no alto.

Soube de uma Festa de São Pedro que tivemos por aqui na região que o premio chegou a R$ 1.300. Isso que me contaram...
Durante toda a semana tentaram escalar o pau de sebo sem sucesso. No domingo um bando de crianças se uniu e uma em cima da outra conseguiram chegar ao topo e dividir o premio que havia se acumulado durante a semana.
São Pedro ensinando que a união faz a força... Não é não?


Então... Viva São Pedro! Viva o Pedroca!



Pesquisa em :
Livro : Os Três Santos do Mês de Junho – Laura Della Mônica
http://eduardoevangelista.blogspot.com.br/2011/03/baldaquino-de-bernini-basilica-de-sao.html

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A CAPELINHA É DE MELÃO E POR FAVOR... NÃO ACORDEM SÃO JOÂO!


"Capelinha de melão,É de São João, É de cravo, é de rosa, É de manjericão.
São João está dormindo, Não acorda não! 
Acordai, acordai, Acordai o João"
E a gente vai cantando porque foi assim que nos ensinaram.
Até que um dia você se pergunta:
Afinal, o que é uma "Capelinha de Melão"? 
E afinal...
Porque não podemos acordar o João?
                                   Vem que eu te conto...

Se você esta vendo a foto  e pensa que já descobriu o que é uma “capelinha de melão”, você está redondamente  enganado.

Certo é que este não é um costume só aqui do Sudeste do Brasil, e a primeira vista a capelinha acima nos parece uma delicada representação de uma devoção... mas não é isso, ou pelo menos não é só isso!  Alguém em algum momento resolveu achar que essa deveria ser a "Capelinha  de Melão" e resolveu montar uma como diz a música, mas apesar de ela ser linda... errou; melhor dizendo: talvez não tenha errado e a capelinha acima se incorpore ao nosso folclore mas  a origem da “capelinha de melão” vem lá do Rio Grande do Norte e na busca da verdadeira capelinha a gente vai descobrindo muitas coisas... uma mais linda que a outra.

Frei Chico no seu "Dicionário da Religiosidade Popular" nos fala que a tal Capelinha de Melão, com o fruto do meloeiro enfeitado como a foto acima é de fato uma tradição Portuguesa mas, tambem descobri, que a palavra “capela” é o nome dado a uma “reunião de foliões durante a festa de São João como tambem pode se referir a uma “coroa de flores ou folhas ”, um diadema que colocam na cabeça. 

Já no Rio Grande do Norte, a tal da “capelinha” se refere a um folguedo junino com cânticos pastoris realizado na noite de São João. 

As dançarinas  do grupo se apresentam (apresentavam?) em numero par, sempre com roupas e sapatos brancos tendo na cabeça uma "capelinha" de "flores de melão de São Caetano". Faixas azuis ou vermelhas partindo do ombro se entrecruzam no busto e terminam com um grande laço abaixo da cintura.
No "Melão de São João" elas cantam e dançam tendo nas mãos uma "lanterninha". Uma vela acesa e uma bandeirola de São João. As cantantes são acompanhadas por um violão, rabeca, clarineta e atualmente sanfona e pandeiro. 
Quando a dança termina algumas moças tiram a "capela" (o diadema de flores) da cabeça e enfeitam as cabeças com moedas de papelão dourado. Em uma bandeja elas recolhem esmolas enquando uma parte delas fica no tablado cantando. 
“São João está dormindo, não acorda não!

- Acordai, Acordai, Acordai ô João “
Mas porque toda essa briga?  Uns querem acordar o João e outros pedem que não o acordem ?
Diz a tradição que São João adora uma festa e não pode ver o brilho de uma fogueira que logo quer vir festar. Ele fica o ano inteiro esperando chegar o seu dia, mas de tanto esperar ele acaba pegando no sono bem no seu dia e, sua mãe Izabel, não deixa que o acordem pois, segundo a lenda se ele descer a Terra o mundo pode acabar em uma grande fogueira! Dai então a briga.
O pessoal aqui da terra fica soltando foguete e gritando para ele acordar e Santa Izabel grita: Não Acorda não! 

E voces bem podem me perguntar:
Afinal, como voce descobriu isso ?
Bem,  eu pesquiso sobre "Capelas da Santa Cruz, Cruzes de Beira de Estrada e Cruzeiros" e um dia na minha pesquisa um amigo me disse :
- Ah! Pode deixar que eu vou tirar uma foto de uma dessas "Capelinhas de Melão" e te mandar !
Como assim... Capelinha de Melão ? Pensei ! 
- O que ele está falando?
 E então ele postou uma foto de uma Capela de Beira de Estrada.(foto abaixo)
Não precisou de mais nada para eu ficar encimesmada... no mesmo momento me veio a música em mente e não teve jeito... fui em busca da história da "Capelinha de Melão" e agora nós podemos cantar e entender bem direitinho a canção e decidir se queremos ou não acordar o São João...
São João tem outras historias muito lindas. Uma delas é a do Boizinho que ele emprestou para Santo Antonio... Mas isto é assunto para outro dia.  Por hoje...
VIVA SÃO JOÃO !!!

Uma Capelinha da Santa Cruz
 ou como disse meu amigo :
uma "capelinha de melão"


*Todas as fotos são de minha autoria  e esta historia vem sendo contada desde 06/2014 mas o texto foi editado posteriormente sendo feito alguns acrescimos.
pesquise tambem nestas páginas:
http://www.allaboutarts.com.br/default.aspx?PageCode=12&PageGrid=Articles&item=0701A2
http://passaroachado.blogspot.com.br/2010/07/fiz-esta-capelinha-de-melao-para.html

https://www.recantodasletras.com.br/ensaios/1666366?fbclid=IwAR1RNzCL4bfhsHsnHgYmwe6sDXWTqRgeRmLHmKuDtCR_gIsaNAxFTrk2_tQ
http://bumba-meu-boi.info/?fbclid=IwAR2tOdfV-AKdnY8_bGHAwKfACdKjFgkj01Sk4vAU6P2wCjEgcUPx7_cTgqc

domingo, 22 de junho de 2014

A ACAIACA - CEDRO ROSA - ARVORES ENCANTADAS DE SAO JOSE DOS CAMPOS

Perto do antigo arraial do Tejuco, atual Diamantina, existia uma aldeia dos índios botocudos.
Esses índios costumavam invadir o Arraial saqueando e dificultando os planos dos brancos de arrancarem os tesouros que existiam naquela terra.

Os índios veneravam uma enorme arvore que nascera perto da taba da tribo: a ACAIACA.
Diziam eles que num  tempo muito remoto, tempo de seus ancestrais,  o rio Jequitinhonha havia  transbordado e inundado toda a terra  matando todos os índios, e todas as árvores exceto a ACAIACA.
Somente um  casal de índios sobreviveu porque eles conseguiram  subir no alto da “Acaiaca” e quando eles desceram da árvore, foram capazes de repovoar a terra.
 Por esse motivo os botocudos acreditavam que se um dia a ACAICA morresse a tribo também desapareceria.

Os portugueses do  arraial  esperavam somente uma oportunidade para derrubarem e queimarem aquela arvore sagrada dos índios.
A oportunidade apareceu no dia do casamento da filha do cacique, a formosa “Cajubi” com o bravo guerreiro “lepipo”.
Para celebrarem o casamento de Cajubi e Iepipo todos os índios se retiraram para as margens do  Ipiacica e lá dançaram, festejaram e se embebedaram .

Os portugueses que estavam na espreita aproveitaram a situação e com golpes de machado derrubaram e depois atearam fogo na  frondosa ACAIACA.

Quando os índios perceberam que sua sagrada árvore estava por terra se queimando em brasas  ficaram desesperados pois sabiam que o seu fim estava próximo.

Naquela noite houve uma grande desavença na tribo. Os caciques e os grandes guerreiros começaram um grande luta onde quase toda a tribo pereceu e os poucos que sobreviveram se dispersaram na mata.
Iepipo estava entre os guerreiros mortos e Cajubi havia desaparecido com o coração cheio de ódio e desejo de vingança.
Nesta mesma noite uma terrível tempestade assolou o Arraial do Tejuco, destruindo casas, deslocando rochedos, arrancando árvores e deixando a todo o Arraial muito assustado.

Piracaçu, o velho pajé, ao ver sua tribo arrasada e destruída, foi até o local onde ainda ardia os restos da ACAIACA e cheio de ódio no coração mergulhou suas mãos entre as cinzas da Acaiaca e recolhendo suas cinzas e brasas se dirigiu para uma elevação do  Arraial.
Lá do alto ele  soltou as cinzas da ACAIACA ao vento enquanto com os olhos cheios de ódio e rancor lançou uma maldição:

- As cinzas da Acaiaca serão o terror e o castigo deste povo !

Dizem que quando as cinzas e o carvão tocavam o chão elas se transformavam em diamantes e com a enxurrada  da chuva os diamantes formados pelas cinzas da Acaiaca eram levados para várias partes da região.

Dizem que é por causa disso que muitos males foram impostos ao Arraial.

Dizem também que Cajubi se transformou em uma onça que aparecia sempre para os tejuquenses  dificultando os de recolher os diamantes.


Obs: cedro cetim, cedro rosa, cedro missioneiro ou acaica -  (Cedrela fissilis Vell., entre outros nomes científicos. Nativa do Brasil pode atingir 30 m de altura.


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Santa Isabel e o Tapete de Corpus Christi em junho 2014

A cidade de Santa Isabel, SP mantem a tradição de confecionar o tapete de Corpus Christi.
Seus "tapetes"  são lindos e repletos de criatividade. 
Copinhos de café descartáveis se transformaram em uma linda representação da "pomba" do Espirito Santo.
Café, serragem colorida, tampinhas de garrafas, papel, pedrinhas coloridas, areia, papel picado, casca de ovos e etc formaram o lindo caminho para a procissão passar. 
Abaixo algumas fotos do tapete.
















































sábado, 31 de maio de 2014

Centro Dom Bosco - Cachoeira do Campo


Antigo “Quartel dos Dragões Del´Rey”, por onde passou  o  Alferes Joaquim da Silva Xavier, o TIRADENTES.

Foi construído em 1775 para abrigar o quartel do recém formado Regimento Regular de Cavalaria de Minas, considerado a célula-máter da Policia Militar do Estado de Minas Gerais.
A Polícia Militar de Minas Gerais é a mais antiga entre as Polícias do Brasil e seu patrono é o alferes Tiradentes, herói da Inconfidência Mineira.
Em 1816 foi adaptado para a fundação da “Coudelaria Imperial” transformando o local no maior centro criador de cavalos de raça da província, partindo dali a gênese de algumas das raças mais apreciadas no Brasil e no exterior.
O Regimento de Cavalaria pago, tinha como missão guardar as minas de ouro descobertas na região de Vila Rica, (atual Ouro Preto) e Mariana

Atualmente funciona no prédio o Centro de Convenções – Centro Dom Bosco, um misto de casa de retiro, centro de convenções e hospedaria.
Está localizado ás margens da Rodovia dos Inconfidentes ( BR 356), km 75.




Para mim era simplesmente o “Colégio Dom Bosco” onde ía em excursão com as freiras do Colégio em que estudava. 
O "Colégio Nossa Senhora Auxiliadora" e agora “Retiro das Rosas”, foi o “Palácio dos Governadores” e  em 1811 foi transformado pelas irmãs salesianas em internato pra meninas.
Era sempre uma festa um ônibus cheio de garotas, chegando em uma escola só de garotos.



terça-feira, 29 de abril de 2014

JURUTAHY, URUTAU, MÃE DA LUA



Tão bonitinho,
Não tem nada de horroroso,
 só um passarim
 com penas descoloridas
e com cordas vocais longas.”
(Calixto de Inhamun´s)

E lá estava eu, para variar, saindo de casa apressada quando o porteiro faz um sinal para eu parar e me avisa:

- A senhora já viu o passarinho diferente que está por aqui ? Mandaram avisar a senhora...

O pessoal que trabalha aqui já sabe que eu adoro fotografar tudo de diferente que aparece. Já fotografei “sinimbura”, gambá, saguis, gaviões, pica-paus, saíras e tantos outros... e adoro os pássaros  mas justo neste dia eu estava com muita pressa e fui logo falando para ele que mais tarde eu iria fotografar. Inconformado ele me avisou:

- Não deixa para depois não... vai que ele “avoa”.

E continuou:

- É um pássaro diferente... difícil de se ver,é raro ! 

O rapaz tinha um ar de mistério e euforia na voz !

Pronto! Minha curiosidade foi despertada ! Larguei a pressa para depois e perguntei onde estava o tal pássaro e voltei para pegar minha máquina fotográfica e ir em busca da árvore onde aquele passáro "diferente" estava. 

Procurei, procurei, e não achei nada... nada !

Voltei na portaria com a máquina na mãe e falei:

- Ah! Acho que foi embora... fica para outro dia!

- Deixa para outro dia não... vamos lá que eu mostro para a senhora onde ele esta !

E lá fomos !

De fato, eu não acharia nunca o tal pássaro.  Eita coisinha horrorosa! Escondido, camuflado... ele parecia um pedaço da árvore, não se mexia, estava no tronco da arvore... estático. Eu tirei várias fotos e ele nada...nem notou minha presença.( isso eu achei mas depois fiquei sabendo que ele pode nos ver mesmo de olhos fechados). 
Mas o fato é que o tal pássaro é raro mesmo. Só fiquei sabendo o quão ele era raro depois que fiz uma pesquisa no “mestre google” e  postei algumas fotos... foi então que  alguns amigos começaram a falar dele. Entre tantos comentários percebi que  para uns ele é um pássaro com canto triste porem querido e amado, símbolo de força! Para outros ele é uma “ ave de mau agouro”.
Descobri que é uma das aves mais cultuadas na "cultura sertaneja". Seu nome vem da língua guarani e quer dizer “ave fantasma” ( guyra e táu),  mas é pouco conhecida da maior parte do povo brasileiro.
Também é conhecido como “mãe da lua” , “ emenda toco”  e “jurutahy”. ( sabe aquela música: Uirapuru ? Pois é fala dele tambem) 

Dizem que são raras as pessoas que já tiveram o privilégio de ver uma Jurutahy  ou que escutaram o seu belíssimo canto noturno. Ele é constantemente associado ao folclore nativo e com frequência a música popular. E fui descobrindo muitas outras coisas sobre ele; as suas lindas lendas e sobre o  seu canto triste ( que eu várias vezes escutei... só não sabia que era ele”. 

Por fim estou até começando a gostar do tal “jurutahy” !

E a noite por aqui, as vezes, eu escuto um canto e agora sei que é o canto do Jurutahy.

Diz a lenda que quando a lua desponta o urutau solta seu grito triste...


São várias as lendas  que colhi:

Lenda 1
Dizem que “Numa humilde casinha do sertão, vivia com seus pais uma moça muito feia. Naturalmente, por causa disso, não conseguia arranjar um namorado. O tempo passava, suas amigas todas se casaram e ela continuava desprezada. 
Mantendo ainda alguma esperança de que lhe surgisse um pretendente - pois, afinal, tinha suas qualidades: inteligente, trabalhadeira e boa cozinheira - adquiriu o hábito de sair à noite para passear pelos campos e bosques.
Certa vez, em um desses passeios, ouviu o tropel de um cavalo que se aproximava. O coração aos pulsos, imaginou que ali vinha o homem que se casaria com ela. Em poucos segundos viu descer de uma cavalo ricamente arreado, um belo e garboso cavaleiro, um príncipe que se aproximou e perguntou-lhe como podia chegar à estrada principal. A moça habilmente procurou cativar o príncipe pela gentileza e ofereceu-se para acompanhá-lo. Apesar de feia, era muito inteligente e foi fácil manter uma conversa agradável com o príncipe que, impressionado e não lhe percebendo a feiura, pois não havia luar, pediu-a em casamento. Mas infelizmente, sua felicidade durou pouco. A lua surgiu, iluminando o rosto da jovem. O príncipe, tomado de grande espanto, inventou uma desculpa para se afastar e se foi. A jovem, que de nada suspeitava, ficou esperando o seu regresso.
Muito tempo depois, uma feiticeira sua conhecida, ia passando e parou para conversar. A moça contou a ela o que acontecera e pediu para ser transformada numa ave e, assim, poder encontrar logo o príncipe. A feiticeira não queria, mas a jovem insistiu tanto que ela acabou concordando. Partiu, então, a jovem, transformada numa ave feia e desajeitada. Percorreu toda a região por várias vezes e nada de avistar o príncipe, que àquela altura, já estava bem longe.
Desolada, a ave - que era o urutau - procurou a bruxa e pediu para voltar à forma humana. Esta, porém nada pode fazer e a pobre teve que se conformar com seu destino de ave feia e triste. É por isso que, quando a lua aparece, o urutau solta aquele grito triste que parece dizer "foi, foi, foi", lembrando o príncipe que fugira da moça feia.
O uratau é um pássaro solitário e de hábitos noturnos que dificilmente se deixa ver. Pousado na ponta de um galho seco,dar nenhum tipo de sinal de vida. O feiticei
ro da tribo alegou que Nheambiú perdera a fala para sempre, a não ser que uma grande dor a fizesse voltar a ser o que era antes. Então a jovem recebeu todos os tipos de notícias tristes, a morte de seu pais e amigos, mas ela não dava nenhum sinal, até que o pajé falou "Cuimbaé acaba de ser morto". 
No mesmo momento a moça, lamentando repetidas vezes, tomou vida e desapareceu dentro da mata. Todos que ali estavam transformaram-se em árvores fitando a lua e estremecendo a calada da noite, emite seu canto tenebroso assemelhado a um lamento humano. Por este motivo, o povo também o chama de "mãe-da-lua". Seu grito talvez seja o mais assustador de todos, entre as aves. "Meu filho foi, foi, foi..." - interpreta o povo. Por causa de seu grito, o uratau é muitas vezes associado a maus presságios, mas segundo a mitologia tupi-guarani, é uma ave benfazeja.”


Lenda 2

Segundo a lenda, uma moça guarani chamada Nheambiú, apaixonou-se profundamente por um bravo guerreiro tupi chamado Cuimbaé, que caíra prisioneiro dos guaranis. Nheambiú pediu a seus pais que consentissem o casamento com Cuimbaé. Todos os insistentes pedidos foram negados, com a alegação que os tupis eram inimigos mortais da nação guarani. Não podendo mais suportar o sofrimento, Nheambiú saiu da taba. O cacique mobilizou seus guerreiros na procura da filha e, após uma longa busca, a jovem índia foi encontrada no coração da floresta, paralisada e muda, tal qual uma estátua de pedra, sem secas, enquanto que Nheambiú tomou a forma de um uratau e ficou voando, noite após noite, pelos galhos daquelas árvores amigas, chorando a perda de seu grande amor.

Em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, Câmara Cascudo testemunha que essa ave noturna, de canto agourento, "melancólico e estranho, lembrando uma gargalhada de dor", cercou-se de "misterioso prestigio assombrador".

Coutinho escreve que as penas dessa sinistra ave são um poderoso "amuleto de preservação da castidade feminina". A mesma informação é dada por Câmara Cascudo e Orico, que evocam o testemunho de José Veríssimo, 40, que afirma ser a pele da ave, seca ao sol, que serve de breve contra a luxúria, "curando" as donzelas das tentações do sexo. Bastava que se varresse o chão, a rede ou cama onde a jovem deitasse, para que fosse afastado dali o que pudesse despertar desejos carnais.

O mesmo caráter agourento é atribuído a outra esta espécie de coruja, a "Rasga-Mortalha", esta última - esclarece Câmara Cascudo - tem esse nome em virtude do som que produz o atrito de suas asas, que faz lembrar um pano sendo rasgado.


  

Lenda 3

Era uma vez, há muito tempo atrás, no fundo da floresta amazônica, havia um pássaro chamado Jurutaí. Uma noite, Jurutaí olhou para cima, através do ar quente, e viu a lua. Ela estava completamente redonda. A luz prateada brilhou sobre a face de Jurutaí como se a lua estivesse se esticando para tocá-lo. E Jurutaí se apaixonou.
Jurutaí se apaixonou pela lua e quis ir até onde ela estava. Assim, voou até o topo da árvore mais alta que podia ver. Mas a lua ainda estava longe. Ele voou até o cume de uma montanha. Mas a lua ainda estava longe. Então ele voou até o céu. Jurutaí bateu as asas, subindo, subindo, até o ar ficar rarefeito. Mas a lua estava muito longe.
O pássaro continuou voando para cima até as asas doerem, os olhos arderem e parecer que cada respiração só enchia seus pulmões de vazio.
Queria prosseguir, mas era muito difícil. A força de suas asas chegou ao fim e de repente ele começou a cair. Rodopiava, através do ar negro, e batia as asas céu abaixo. Ele caiu de volta nas folhas úmidas e perfumadas das árvores. E se empoleirou ali, piscando ofegante para a lua. Ela estava distante demais para que ele a alcançasse. Assim, tudo o que Jurutaí podia fazer era cantar para ela. Ele cantou a mais bela canção que pôde. Uma canção cheia de tristeza e amor, que se espalhou pela floresta. A lua olhou para baixo, mas não respondeu. E lágrimas  encheram os olhos de Jurutaí. Suas lágrimas rolaram pelo chão da floresta. Encheram vales e escorreram em direção ao mar. E dizem que foi assim que o rio Amazonas surgiu.
Ainda existe um pássaro chamado jurutaí que vive na floresta amazônica hoje em dia. Às  vezes, na lua cheia, ele olha para o céu e canta. E ouvi falar de povos indígenas que acendem fogueiras quando a lua cheia brilha e cantam e dançam para fazer o jurutaí cantar. Eles sabem que cantar a mais bela canção que se conhece é a melhor maneira de se livrar da tristeza. E acreditam que deveríamos acender fogueiras no coração quando o jurutaí dentro de nós se cala.